Por marcello.victor

Rio - A madrugada desta terça-feira foi de aparente tranquilidade no bairro de Vila Isabel, Zona Norte do Rio, após uma noite de protestos desencadeada pelo ferimento à bala na cabeça sofrido à tarde por Vitor Gomes Bento, de oito anos, durante uma troca de tiros entre PMs da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) do Morro dos Macacos e traficantes. Ele foi operado por cerca de cinco horas no Hospital Federal do Andaraí e está internado no Centro de Tratamento Intensivo (CTI). O estado de saúde dele é considerado grave. Um boletim médico deve ser divulgado ainda nesta manhã. Um PM foi medicado no braço na mesma unidade com o braço quebrado. Outra criança teve escoriações.

Vitor Gomes Bento%2C de oito anos%2C está internado no Hospital Federal do AndaraíFernando Souza / Agência O Dia

Também nesta terça-feira, a Polícia Civil deve realizar uma perícia no local onde Vitor foi baleado. Segundo moradores, o menino voltava do colégio com um irmão quando eles pararam em uma padaria na comunidade para comprar pão doce. No hospital, a família não quis falar com os jornalistas. A polícia já recolheu as armas dos PMs da UPP que participaram do confronto. O policiamento amanheceu reforçado nos acessos ao Morro dos Macacos. Durante a madrugada PMs dos batalhões de Choque e de Operações Policiais Especiais (Bope) auxiliaram no patrulhamento e na busca pelos bandidos que entraram em confronto com os policiais.

De acordo com a Coordenadoria de Polícia Pacificadora, por volta das 15h30 policiais da UPP em patrulhamento na localidade conhecida como Favelinha se depararam com criminosos armados, que atiraram contra os policiais. Os PMs revidaram e os bandidos fugiram. Porém, mais à frente, já num ponto chamado Rachadura, iniciaram novo confronto com outra equipe da UPP.

“Em seguida, os policiais receberam a informação sobre uma criança ferida e encaminhada ao Hospital Federal do Andaraí. Ela foi socorrida por moradores”, dizia o texto. O policiamento na comunidade foi reforçado com integrantes do Grupamento de Intervenções Táticas do Batalhão de Choque e de várias UPPs da Zona Norte.

Às 20h30, moradores tentaram fechar a Rua Barão do Bom Retiro, uma das principais do bairro, mas foram impedidos pela polícia, que usou gás de pimenta para afastar os manifestantes. Por segurança, o Túnel Noel Rosa foi fechado nos dois sentidos. Em seguida, um grupo depredou e tentou colocar fogo num ônibus da linha 158, que estava vazio e seguia para a garagem da empresa. O motorista conseguiu controlar as chamas com o extintor do veículo. Segundo moradores, três traficantes teriam sido mortos nos tiroteios, mas a polícia não confirmou. Tiros foram ouvidos na localidade Pau da Bandeira.

PMs reforçaram patrulhamento e tentaram apagar fogo no Morro dos Macacos. Túnel Noel Rosa fechouFernando Souza / Agência O Dia

'Pesadelo de tempos antigos está voltando'

Por meio do WhatsApp do DIA (98762-8248), moradores relataram o medo de quem mora na região. “O bicho tá pegando. Muita confusão, veículo depredado e muita fumaça na vias de entrada do Morro dos Macacos. Estamos apavorados”, desabafou um deles.

“Estou receoso em voltar para casa. E minha mulher e minhas filhas estão sozinhas. Meu Deus, o pesadelo de tempos antigos está voltando!”, comentou outro. O policiamento seguirá reforçado hoje, diz a PM.

Tiros em áreas pacificadas

Tiroteios em morros pacificados no Rio têm ocorrido com frequência e feito vítimas inocentes. No dia 27 de abril, por exemplo, Dalva Bezerra de Assis, de 72 anos, morreu, ao ser baleada após tiroteio entre policiais da UPP Nova Brasília e criminosos, no Conjunto de Favelas do Alemão.

A exemplo do que ocorreu ontem no Morro dos Macacos, pelo menos 50 moradores da comunidade interditaram a Estrada do Itararé, em Bonsucesso, nos dois sentidos, em protesto. Quatro ônibus foram queimados. Durante as manifestações, criminosos invadiram e depredaram a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da região.Três pessoas foram detidas, acusadas de estarem envolvidas na confusão.

De acordo com parentes, Dalva morreu ao entrar na frente de um neto, de 10 anos, para protegê-lo dos disparos. A polícia investiga informações de que o tiro que matou a idosa, teria partido de traficantes.

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