Medo da tuberculose no Tribunal de Justiça após morte de servidor

Sete funcionários foram afastados do Setor de Protocolo, por onde passam mais de mil pessoas por dia. Secretaria de Saúde foi acionada para esclarecer sobre a doença

Por O Dia

Rio - Após a morte de um funcionário com diagnóstico de tuberculose, no fim de fevereiro, e o afastamento de outros sete com tosse forte, no mês passado, servidores do Setor de Protocolo do Tribunal de Justiça do Rio trabalham sob o medo de contrair a bactéria. Nesta quarta, uma especialista em pneumologia da Secretaria Estadual de Saúde esteve com os funcionários para tirar dúvidas. A presidência do TJ descartou a hipótese de surto doença.

De acordo com o Sindicato dos Servidores do Poder Judiciário (SindJustiça), na semana passada, uma funcionária chegou a trabalhar de máscara, mas logo foi reprimida pela direção. “A Vigilância Sanitária esteve no local e disse que não era preciso o uso de máscara, mas os servidores estão com muito medo”, comentou um dos coordenadores do sindicato, José Carlos Arruda.

No fim do mês passado, outro funcionário morreu em decorrência de uma pneumonia. No entanto, colegas de trabalho afirmaram que ele havia contraído tuberculose. “Dois dias após esse funcionário ser internado, a família avisou que ele estava com tuberculose. Mas o caso foi abafado”, declarou um servidor que preferiu não se identificar.

Funcionários do setor de protocolo ouviram nesta terça esclarecimentos de médica sobre sintomas da doençaAngélica Fernandes / Agência O Dia

Após a morte desse segundo funcionário, os mais de 20 empregados do Setor de Protocolo estão passando por exames clínicos e já foram submetidos ao teste tuberculínico, que detecta a presença da bactéria da doença no organismo.

Ontem, durante conversa com os trabalhadores, a médica Analice Teixeira, da Secretaria Estadual de Saúde, pediu que os servidores fiquem atentos à possibilidade de apresentarem um quadro excessivo de tosse. “Não menosprezem uma tosse. A qualquer sintoma, é fundamental que vocês procurem o atendimento médico”, orientou a médica.

Por meio de e-mail interno, nesta quarta-feira, a presidenta do TJ, Leila Mariano, declarou que o caso está sendo tratado com máxima cautela e que as recomendações estão sendo cumpridas. Pela sala de Protocolo, que fica no quarto andar do tribunal, circulam em média mais de mil pessoas por dia, sendo a maioria de advogados.

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