Morro dos Macacos: tensão paira no ar

Parte do comércio não abriu as portas pela manhã e colégios tiveram baixa frequência

Por O Dia

Rio - Após quase um ano de aparente tranquilidade, o clima voltou a ficar tenso no Morro dos Macacos, em Vila Isabel, após confronto entre policiais da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) e traficantes na segunda-feira. Na ocasião, Vítor Gomes Bento, de 8 anos, foi baleado na cabeça. Ele segue internado em estado grave.

Nesta quarta-feira, das cinco escolas que funcionam nas proximidades do morro, apenas duas tiveram frequência normal. Três unidades abriram, mas a maioria dos pais não mandou as crianças para as aulas. Parte do comércio também não funcionou pela manhã e o patrulhamento seguia reforçado na comunidade por homens dos batalhões de Operações (Bope) e do Choque, além de militares de outras UPPs.

Em meio aos dois lados da guerra, moradores sentem saudade dos dias mais calmos, especialmente após a morte do traficante Jorge Araújo Vieira, o Bebezão, que controlava bocas de fumo na região e ameaçava qualquer pessoa que conversasse com os policiais militares.

Patrulhamento estava reforçado no Morro dos Macacos%2C em Vila Isabel%3A militares de unidades especiais e de outras UPPs seguiram para a favela%2C onde houve protestosSeverino Silva / Agência O Dia

“Eles (os traficantes) nos ameaçavam e chegaram a matar o dono de uma padaria porque ele servia comida aos PMs. Depois da morte do Bebezão, parou, mas agora está voltando”, contou o dono de uma loja, que pediu anonimato e se referia ao assassinato de Flávio Duarte de Melo, de 40 anos, morto com cinco tiros de pistola na cabeça em 2012, dentro da padaria que era dono, na Rua Armando de Albuquerque. Pelo WhatsApp do DIA (98762-8248), vários relatos de moradores angustiados.

Os próprios policiais alertam que, depois do meio-dia, bandidos armados costumam circular em motos e fazem ameaças. “Acompanhamos relatos em redes sociais com ameaças ao nosso trabalho durante toda a noite. Depois, eles (criminosos) vão dormir e acordam após o meio-dia, quando passam pelas patrulhas e gritam que vão nos expulsar. O clima não está nada tranquilo”, revelou um cabo.

Na segunda-feira, moradores fizeram protestos após Vítor ser atingido por uma bala perdida durante confronto entre traficantes e policiais da UPP. O menino voltava da escola e foi baleado quando estava ao lado do irmão menor. “A gente brinca muito juntos. Ele é um amigão. Tomara que ele fique bom”, contou X., de 9 anos, vizinho de Vítor. Quatro PMs ainda serão ouvidos na 20ª DP (Vila Isabel), assim como a testemunha que socorreu Vítor. Duas pistolas e um fuzil dos policiais foram apreendidos para perícia.

Ato de grupo fecha Lagoa-Barra

Moradores da Rocinha fecharam a Autoestrada Lagoa-Barra para um protesto na noite desta quarta. Com cartazes, o grupo de 50 pessoas pediu paz para a comunidade — local de intensos confrontos entre traficantes e policiais recentemente. O ato também lembrou a estudante Francisca Gleiciane Oliveira da Silva, de 18, assassinada na favela em março.

O corpo da jovem foi encontrado dentro de um bar, nu e amarrado com suas próprias roupas. A polícia identificou José Maurício Nascimento da Silva, 33, como suspeito. Ele seria da Paraíba e vem sendo procurado desde então. O protesto chegou a interditar os túneis Acústico e Zuzu Angel. O trânsito foi desviado para a Avenida Niemeyer. A manifestação durou cerca de 30 minutos e foi pacífica. Depois que o grupo dispersou, a via foi liberada.

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Nesta quarta-feira, das cinco escolas que funcionam nas proximidades do morro, apenas duas tiveram frequência normal. Três unidades abriram, mas a maioria dos pais não mandou as crianças para as aulas. Parte do comércio também não funcionou pela manhã e o patrulhamento seguia reforçado na comunidade por homens dos batalhões de Operações (Bope) e do Choque, além de militares de outras UPPs.

Em meio aos dois lados da guerra, moradores sentem saudade dos dias mais calmos, especialmente após a morte do traficante Jorge Araújo Vieira, o Bebezão, que controlava bocas de fumo na região e ameaçava qualquer pessoa que conversasse com os policiais militares.

Patrulhamento estava reforçado no Morro dos Macacos%2C em Vila Isabel%3A militares de unidades especiais e de outras UPPs seguiram para a favela%2C onde houve protestosSeverino Silva / Agência O Dia

“Eles (os traficantes) nos ameaçavam e chegaram a matar o dono de uma padaria porque ele servia comida aos PMs. Depois da morte do Bebezão, parou, mas agora está voltando”, contou o dono de uma loja, que pediu anonimato e se referia ao assassinato de Flávio Duarte de Melo, de 40 anos, morto com cinco tiros de pistola na cabeça em 2012, dentro da padaria que era dono, na Rua Armando de Albuquerque. Pelo WhatsApp do DIA (98762-8248), vários relatos de moradores angustiados.

Os próprios policiais alertam que, depois do meio-dia, bandidos armados costumam circular em motos e fazem ameaças. “Acompanhamos relatos em redes sociais com ameaças ao nosso trabalho durante toda a noite. Depois, eles (criminosos) vão dormir e acordam após o meio-dia, quando passam pelas patrulhas e gritam que vão nos expulsar. O clima não está nada tranquilo”, revelou um cabo.

Na segunda-feira, moradores fizeram protestos após Vítor ser atingido por uma bala perdida durante confronto entre traficantes e policiais da UPP. O menino voltava da escola e foi baleado quando estava ao lado do irmão menor. “A gente brinca muito juntos. Ele é um amigão. Tomara que ele fique bom”, contou X., de 9 anos, vizinho de Vítor. Quatro PMs ainda serão ouvidos na 20ª DP (Vila Isabel), assim como a testemunha que socorreu Vítor. Duas pistolas e um fuzil dos policiais foram apreendidos para perícia.

Ato de grupo fecha Lagoa-Barra

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O corpo da jovem foi encontrado dentro de um bar, nu e amarrado com suas próprias roupas. A polícia identificou José Maurício Nascimento da Silva, 33, como suspeito. Ele seria da Paraíba e vem sendo procurado desde então. O protesto chegou a interditar os túneis Acústico e Zuzu Angel. O trânsito foi desviado para a Avenida Niemeyer. A manifestação durou cerca de 30 minutos e foi pacífica. Depois que o grupo dispersou, a via foi liberada.

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