Com piquetes de rodoviários, várias ruas do Rio são interditadas

Avenida Brasil teve dois pontos interditados durante a manhã. Vários bloqueios ocorreram na região da Tijuca, Vila Isabel, Grajaú e Andaraí . Zona Oeste também é uma das regiões mais afetadas

Por O Dia

Rio - Em greve desde a madrugada desta quinta-feira, rodoviários realizaram piquetes em diversos pontos do município do Rio. Em função disso, algumas vias da cidade tiveram interdições. Segundo o Centro de Operações da Prefeitura do Rio, na Zona Norte, a Rua 24 de Maio foi fechada ao tráfego às 9h40 e reaberta uma hora depois, na altura da Rua Marechal Bittencourt, no acesso ao Túnel Noel Rosa. O trânsito ficou lento na região, no bairro do Sampaio.

Em Vila Isabel, por volta das 10h23, foi interditada a Rua Teodoro da Silva, na altura da Rua Barão de São Francisco, onde manifestantes depredaram ônibus. No Grajaú, um trecho da Rua Uberaba está parcialmente bloqueado, nesta manhã, na altura da Rua Ferreira Pontes. Na Tijuca, os grevistas interditaram, por volta das 11h, a Rua Conde de Bonfim, na altura da Rua Uruguai, na Tijuca.

Greve dos rodoviários complica a vida dos cariocas que tentam chegar ao trabalhoOsvaldo Praddo / Agência O Dia

Na Zona Oeste, os rodoviários fizeram piquetes em Campo Grande, na Avenida Cesário de Melo, próximo à garagem das empresas Algarve/Oeste e Pégaso, e em Senador Camará, na Avenida Santa Cruz.

Em frente ao Barra Music, na Gardênia Azul, há interdição parcial da pista central da Avenida Ayrton Senna. O trânsito segue lento na região e a melhor opção para os motoristas, da Barra para o Centro, é o Alto da Boa Vista, que está com boas condições de tráfego.

A pista lateral da Avenida Brasil ficou interditada, no sentido Centro, durante toda a manhã, na altura da Fiocruz, em Manguinhos, na Zona Norte, próximo à garagem da empresa Real. Outro trecho da via expressa que sofreu bloqueio foi na altura de Parada de Lucas, onde ambas as pistas centrais e laterais foram fechadas, nos dois sentidos. As pistas foram liberadas no fim desta manhã.

Seguidor de O DIA 24 Horas no Twitter (@odia24horas), Fábio Moura (@Boo_Moura) contou que vários ônibus foram abandonados na Rua Gastão Penalva, no Andaraí, na altura da Rua Leopoldo, próximo à garagem da Viação Saens Peña. "Vi mais de 30", contou.

Mais de 320 ônibus depredados

Cerca de 325 ônibus foram depredados nesta manhã, segundo informações da Rio ônibus. Devido à greve dos rodoviários que começou no início desta madrugada, manifestantes grevistas realizaram piquetes nas garagens das empresas dos coletivos, a maioria na Zona Oeste. Dentre os veículos depredados estão 60 ônibus da empresa Jabour, 15 da Real, 16 da Pavunense, 20 da Vila Real e 21 da Viação Redentor. Segundo a Rio Ônibus, apenas 30% da frota está circulando nas ruas.

Greve prejudica população que tenta chegar ao trabalho

A greve dos rodoviários deixou a população sem transporte público nesta quinta-feira. Poucos ônibus circularam pela cidade com sua capacidade máxima. Os pontos estavam cheios nas calçadas e houve muita reclamação por parte dos usuários.

Por conta da falta de coletivos, a SuperVia informou que está com a capacidade máxima da frota circulando. Cerca de 49 composições de metrô foram disponibilizados para o reforço da frota. Em função da paralisação de 24 horas, o MetrôRio informou que não está sendo vendido nenhum tipo de bilhete de integração.

Passageiros enfrentam dia de caos para chegar ao trabalho. Mais de 50 ônibus foram depredados por conta da greve dos rodoviáriosFoto%3A Osvaldo Praddo

A Central do Brasil apresentou um movimento intenso de passageiros, assim como na estação de São Cristóvão. Em Senador Camará, rodoviários impediram e depredaram ônibus que tentavam sair da garagem da empresa Jabour.

Tropas do Batalhão de Choque estão posicionadas em portas de garagens de empresas de ônibus com o objetivo de evitar confrontos entre grevistas, que impedem a saída dos coletivos. Pouquíssimos ônibus conseguiram sair para transportar passageiros.

Morador de Vila Isabel, o militar Diego Borges desistiu de ir para o quartel onde trabalha, na Praia Vermelha, Zona Sul da cidade. "Estou sem dinheiro para o táxi e não passa ônibus. Corro o risco de ficar preso por ter faltado o serviço", disse ele.

Circulação de ramais da SuperVia

Em nota, a SuperVia informou que é normal o funcionamento de trens em todos os ramais, na manhã desta quinta-feira. Boletim divulgado pela concessionária às 6h, avisava que a circulação nos ramais acontecia com os seguintes intervalos:

- Ramal Deodoro: intervalos de 10 minutos

- Ramal Santa Cruz: intervalos entre 8 e 15 minutos

- Ramal Japeri: intervalos entre 8 e 15 minutos

- Ramal Belford Roxo: intervalos de 15 minutos

- Ramal Saracuruna: intervalos entre 10 e 30 minutos

- Teleférico do Alemão: funciona normalmente

Passageiros enfrentam dia de caos para chegar ao trabalho. Mais de 50 ônibus foram depredados por conta da greve dos rodoviáriosFoto%3A Osvaldo Praddo

Moradores relatam desespero da falta de ônibus e preço abusivo das vans

Seguidores de O DIA 24 Horas no Twitter (@odia24horas) relataram o drama que viveram nesta manhã. "Vans cobrando 10 reais de Manguariba até a Central por conta da greve dos rodoviários", disse um seguidor, que mora em Paciência, na Zona Oeste.

"Ônibus da Viação Redentor sendo depredado na Estrada do Gabinal", disse outro seguidor, que mora em Jacarepaguá, também na Zona Oeste. A empresa confirmou que 21 coletivos foram quebrados.

O leitor Rômulo Medina usou o trem para seguir viagem de Nilópolis, na Baixada Fluminense, para o Centro do Rio. "Pessoas não saem da Estação Central do Brasil, porque o terminal rodoviário em frente, próximo à Avenida Presidente Vargas, está lotado", relatou ele que encontrou dificuldades para chegar ao trabalho, na Zona Norte da cidade, na manhã desta quinta-feira.

BRT Transoeste suspende circulação de ônibus por medida de segurança

O consórcio responsável pelo BRT Transoeste informou que, por medida de segurança, suspendeu a circulação de ônibus do serviço no trecho entre Santa Cruz e Campo Grande, na Zona Oeste da cidade.

Segundo o consórcio, na Avenida Cesário de Melo, onde circulam os ônibus deste trajeto, existem duas empresas de ônibus e rodoviários grevistas realizaram piquetes.

De acordo com a assessoria do BRT, a circulação ocorre com 70% da frota no trajeto entre a Barra da Tijuca e Santa Cruz e os intervalos são irregulares. Mesmo assim, muitos passageiros podem encontrar dificuldades para chegar até as estações, pois de acordo com o consórcio, grande parte das linhas alimentadoras do serviço aderiram à greve.

Seguidora de O DIA 24 Horas no Twitter (@odia24horas), Kellen Paula (@kellenapaula) flagrou a estação Santa Eugênia com as portas fechadas, nesta manhã.

CCR Barcas disponibiliza viagens extras

De acordo com a CCR Barcas, até as 9h30, a concessionária transportou 3.600 passageiros no trajeto Cocotá-Praça XV. Por conta da greve a concessionária operou com o efetivo reforçado na Estação Cocotá (Ilha do Governador), para atender à grande demanda de passageiros que seguiam em direção ao centro do Rio. Foram necessárias três viagens extras (6h40, 7h30 e 9h05) no trajeto para atender à grande procura pelo transporte aquaviário na linha.

Mesmo com a operação especial na linha que atende o Cocotá, as outras travessias permaneceram com operação normal. É grande a movimentação na Praça Arariboia, em Niterói, mas não há filas para acessar a estação. Os intervalos continuam de 10 minutos entre as viagens. Para quem sai de Charitas, catamarãs partem a cada 15 minutos.

Greve dos rodoviários complicam a vida dos passageiros nesta quinta-feira. Pontos de ônibus ficam lotados Foto%3A Alessandro Costa / Agência O Dia

Categoria quer piso salarial de R$ 2.100 e fim da dupla função

De acordo com um dos grevistas, o motorista José Ricardo de Souza, 38, da viação Translitorânea, os trabalhadores acusam o sindicato da categoria de fechar o acordo coletivo com o sindicato patronal com o percentual sem consultar a categoria. Eles exigem um piso e R$ 2.100 e tíquete alimentação de R$ 300, além de melhores condições de trabalho, como banheiros e água nos pontos finais, e o fim da dupla função de motorista/cobrador.

"Esse disparate de arrocho salarial de anos e das más condições de trabalho dos rodoviários atinge em cheio a população do Rio. Chega! É hora do poder público interferir nas empresas para melhorar algo", pregou José Ricardo. Ele e outros rodoviários se concentraram desde a noite de quarta-feira na porta da Viação Real, na Avenida Brasil, em Manguinhos, para convencer os colegas e não trabalhar. até às 5h, nenhum ônibus tinha deixado a garagem da empresa.

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