Paes diz que pediu ajuda à PM para controlar episódios de violência em piquetes

Prefeito afirmou que não compete a ele negociar salário com a categoria e que isso é atribuição da Rio Ônibus

Por O Dia

Rio - O prefeito Eduardo Paes afirmou na manhã desta quinta-feira que já pediu auxílio à Polícia Militar para conter episódios de violência em piquetes de rodoviários grevistas. Paes explicou que não cabe a ele negociar salário com a categoria e que isso compete à Rio Ônibus. Um plano de contingência está sendo preparado pela Secretaria Municipal de Transporte para evitar impactos maiores ainda no retorno dos passageiros para a casa. Segundo o prefeito, a não nomalização do sistema de coletivos pode resultar em penas contratuais, como a cassação da concessão do serviço (de transporte). 

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"Os motoristas são funcionários das empresas que recebem a passagem todos os dias de todos os trabalhadores, aliás, uma passagem que foi reajustada e que, pelo que eu entendi, permitiu o reajuste aos motoristas de ônibus. Então, compete a gente cobrar das empresas que prestam esses serviços (de transporte).Mas o que a gente espera é que aqueles que estejam no movimento grevista, o façam sem violência e sem piquete. É inadmissível que se tenha já 325 ônibus quebrados e com algum tipo de vandalismo.

Mais de 300 ônibus foram depredados%2C segundo Rio ÔnibusAlessandro Costa / Agência O Dia

Segundo Paes, o impacto na cidade é grande, mas como os grevistas não são funcionários da prefeitura, não há como totalizar o número de rodoviários que aderiram ao movimento. "O que a gente sabe é que a frota está menor e que há muito violência, o que é inaceitável". 

Ônibus depredados e violência nas ruas

Pelo menos 325 ônibus foram depredados na manhã desta quinta-feira, segundo informações da Rio Ônibus. Por conta da greve dos rodoviários, que começou no início desta madrugada, manifestante grevistas realizam piquetes nas garagens das empresas, a maioria na Zona Oeste. Dentre os veículos depredados estão 60 da empresa Jabour, 15 da Real, 16 da Pavunense, 20 da Vila Real e 21 da Viação Redentor. Segundo a Rio Ônibus, apenas 30% da frota está circulando nas ruas.

Greve prejudica população que tenta chegar ao trabalho e interdita pontos da Av. Brasil

A greve dos rodoviários deixou a população sem transporte público nesta quinta-feira. Poucos ônibus estão circulando pela cidade com sua capacidade máxima. Os pontos estavam cheios nas calçadas e há muita reclamação por parte dos usuários. Por conta da falta de coletivos, a SuperVia informou que está com a capacidade máxima da frota circulando. Cerca de 49 composições de metrô foram disponibilizados para o reforço da frota. Em função da paralisação de 24 horas, o MetrôRio informou que não está sendo vendido nenhum tipo de bilhete de integração.

Greve dos rodoviários complicam a vida dos passageiros nesta quinta-feira. Pontos de ônibus ficam lotados Foto%3A Alessandro Costa / Agência O Dia

A Central do Brasil apresentou um movimento intenso de passageiros, assim como na estação de São Cristóvão. Em Senador Camará, rodoviários impediram e depredaram ônibus que tentavam sair da garagem da empresa Jabour. Tropas do Batalhão de Choque estão posicionadas em portas de garagens de empresas de ônibus com o objetivo de evitar confrontos entre grevistas, que impedem a saída dos coletivos. Pouquíssimos ônibus conseguiram sair para transportar passageiros.

Em Bonsucesso, na garagem da Real, piquete se misturava a rodoviários que chegavam para trabalhar. Os manifestantes grevistas fecharam a pista lateral da Avenida Brasil, na altura de Manguinhos, no sentido Centro e só liberaram por volta das 7h50. Devido à interdição parcial da pista na altura da Fiocruz, o trânsito apresentou reflexos até a altura de Cordovil

Por volta das 9h10 manifestante interditaram novamente a Avenida Brasil, desta vez, na altura de Parada de Lucas, no sentido Centro. Os motoristas também enfretaram complicações na Avenida Marechal Rondon, na altura do acesso para o túnel Noel Rosa. Os grevistas ocuparam uma faixa da via.

Em Vila Isabel, na Zona Norte da cidade, os pontos de ônibus estão superlotados, a reportagem do jornal O DIA observou a movimentação na Rua Teodoro da Silva, onde apenas três ônibus, vindos de Jacarepaguá para o Centro, passaram superlotados. Os motoristas não pararam para os passageiros.

Passageiros enfrentam dia de caos para chegar ao trabalho. Mais de 50 ônibus foram depredados por conta da greve dos rodoviáriosFoto%3A Osvaldo Praddo

Os grevistas realizam piquete também no Boulevard 28 de Setembro e na Rua Teodoro da Silva, onde um ônibus da Viação Vila Isabel foi apedrejado quando tentava seguir viagem.

Morador de Vila Isabel, o militar Diego Borges desistiu de ir para o quartel onde trabalha, na Praia Vermelha, Zona Sul da cidade. "Estou sem dinheiro para o táxi e não passa ônibus. Corro o risco de ficar preso por ter faltado o serviço", disse ele.

Circulação de ramais da SuperVia

Em nota, a SuperVia informou que é normal o funcionamento de trens em todos os ramais, na manhã desta quinta-feira. Boletim divulgado pela concessionária às 6h, avisava que a circulação nos ramais acontecia com os seguintes intervalos:

- Ramal Deodoro: intervalos de 10 minutos

- Ramal Santa Cruz: intervalos entre 8 e 15 minutos

- Ramal Japeri: intervalos entre 8 e 15 minutos

- Ramal Belford Roxo: intervalos de 15 minutos

- Ramal Saracuruna: intervalos entre 10 e 30 minutos

- Teleférico do Alemão: funciona normalmente

Moradores relatam desespero da falta de ônibus e preço abusivo das vans

Seguidores de O DIA 24 Horas no Twitter (@odia24horas) relataram o drama que viveram nesta manhã. "Vans cobrando 10 reais de Manguariba até a Central por conta da greve dos rodoviários", disse um seguidor, que mora em Paciência, na Zona Oeste.

"Ônibus da Viação Redentor sendo depredado na Estrada do Gabinal", disse outro seguidor, que mora em Jacarepaguá, também na Zona Oeste. A empresa confirmou que 21 coletivos foram quebrados.

O leitor Rômulo Medina usou o trem para seguir viagem de Nilópolis, na Baixada Fluminense, para o Centro do Rio. "Pessoas não saem da Estação Central do Brasil, porque o terminal rodoviário em frente, próximo à Avenida Presidente Vargas, está lotado", relatou ele que encontrou dificuldades para chegar ao trabalho, na Zona Norte da cidade, na manhã desta quinta-feira.

Greve dos rodoviários complica a vida dos cariocas que tentam chegar ao trabalho nesta quinta-feiraAlessandro Costa / Agência O Dia

BRT Transoeste suspende circulação de ônibus por medida de segurança

O consórcio responsável pelo BRT Transoeste informou que, por medida de segurança, suspendeu a circulação de ônibus do serviço no trecho entre Santa Cruz e Campo Grande, na Zona Oeste da cidade.

Segundo o consórcio, na Avenida Cesário de Melo, onde circulam os ônibus deste trajeto, existem duas empresas de ônibus e rodoviários grevistas realizam piquetes.

De acordo com a assessoria do BRT, a circulação ocorre com 70% da frota no trajeto entre a Barra da Tijuca e Santa Cruz e os intervalos são irregulares. Mesmo assim, muitos passageiros podem encontrar dificuldades para chegar até as estações, pois de acordo com o consórcio, grande parte das linhas alimentadoras do serviço aderiram à greve.

Seguidora de O DIA 24 Horas no Twitter (@odia24horas), Kellen Paula (@kellenapaula) flagrou a estação Santa Eugênia com as portas fechadas, nesta manhã.

CCR Barcas disponibiliza viagens extras

De acordo com a CCR Barcas, até às 8h, foram transportados cerca de 2.600 passageiros no trajeto Cocotá-Praça XV e a próxima viagem estava programada para as 9h20. Por conta da greve a concessionária operou com o efetivo reforçado na Estação Cocotá (Ilha do Governador), para atender à grande demanda de passageiros que seguiam em direção ao centro do Rio. Duas viagens extras (6h40 e 7h30) já foram realizadas no trajeto Cocotá-Praça XV, e mais partidas extras estarão sendo disponibilizadas de acordo com a demanda.

Mesmo com a operação especial na linha que atende o Cocotá, as outras travessias permaneceram com operação normal. É grande a movimentação na Praça Arariboia, em Niterói, mas não há filas para acessar a estação. Os intervalos continuam de 10 minutos entre as viagens. Para quem sai de Charitas, catamarãs partem a cada 15 minutos.

Detran: Greve dificulta funcionamento dos postos de vistoria

Devido à greve dos rodoviários, os postos de vistoria do Detran localizados na cidade do Rio estão sofrendo impactos no atendimento nesta quinta-feira. De acordo com a assessoria, o departamento está deslocando viaturas para dar apoio no transporte dos prestadores de serviço. O cliente que não for atendido terá a opção de retornar ao posto dentro de 10 dias, sem necessidade de um novo agendamento.

Já os clientes agendados para serviços de habilitação que também não puderam ser atendidos podem voltar ao posto em até 15 dias corridos, sem ter que agendar o serviço novamente. Quanto aos clientes inscritos na prova eletrônica, deverão agendar nova data para realização do serviço.


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