Por bianca.lobianco
Corpo da engenheira Patrícia Amieiro nunca foi achadoReprodução

Rio - Há exatos seis anos, a engenheira Patrícia Amieiro, então com 24 anos, desaparecia quando voltava de festa na Zona Sul para a casa dela, na Barra da Tijuca. O veículo que dirigia, encontrado no Canal de Marapendi, alvejado por balas, dava a certeza de assassinato e fazia com que quase toda a família iniciasse luta incansável na busca pelo corpo da jovem, que nunca apareceu. Desde então, o avô dela, Valdir Branco, de 84, mergulha diariamente em um exercício de esperança e amor pela única neta.

Enquanto isso, todas as tardes, são escritos, pelo menos, cinco cartas e poemas em memória à ela. Nos textos, lembranças do convívio, declarações de amor e pedidos para que ela esteja em paz, seja lá onde estiver.

“Já são mais de dez mil escritos em cadernos. Ele se recusa a falar no assunto e nunca pergunta pelo desenrolar das investigações. Mas, diariamente, dedica parte do seu dia a ela. Muitos dos textos ele nos deixa ler. Outros, ele escreve a parte e pede para que sejam lidos quando já tiver morrido”, explica a mãe de Patrícia, Tânia Amieiro, de 55.

O irmão da vítima, Adriano Amieiro, de 32, conta que o hábito da escrita foi importante para que o idoso se reerguesse.

“Temendo que a saúde debilitada dele sofresse um baque, chegamos a esconder o desaparecimento por duas semanas. Desde então, ele se nega a receber acompanhamento psicológico. O hábito de escrever poemas (que ele chama de ‘desabafos’) é a terapia que diz precisar”, conta. “Nos primeiros escritos, havia raiva e pedidos por justiça. Hoje, são apenas declarações de amor e pedidos por paz”, diz Tânia.

Alguns dos textos serão recitados hoje, às 11h30, na saída do Túnel do Joá. Familiares de Patrícia pedirão por agilidade da justiça ao julgar os quatro PMs acusados de fraude processual e tentativa de homicídio. Um pedido para que a prefeitura crie e mantenha no lugar um jardim em memória ao caso também será feito.

Tânia e Adriano%2C mãe e irmão da vítima%2C lerão poema em ato hojeJosé Pedro Monteiro / Agência O Dia


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