Por bianca.lobianco

Rio - A Rio Ônibus orientou ontem as 43 viações do Rio de Janeiro a entrar com queixa-crime na Polícia Civil contra os autores das depredações aos veículos. A recomendação é para que elas levem imagens internas dos coletivos e fotos dos estragos para as delegacias mais próximas identificá-los.

De acordo com as contas do sindicato, 531 veículos foram danificados. Os principais problemas foram a quebra de para-brisas, janelas e retrovisores, que inutilizam os veículos para operação. Segundo a Rio Ônibus, 475 veículos foram reparados e voltaram a circular ontem mesmo. A rapidez foi atribuída ao setor de manutenção “que não parou de trabalhar”.

O sindicato estima um prejuízo de R$ 2 milhões para as empresas. Para o presidente da Rio Ônibus, Lélis Teixeira, as denúncias também poderão ajudar em uma futura reparação de danos materiais. “Foram protestos organizados, nunca vistos antes no setor, que causaram prejuízos não só às empresas mas também à população. Os organizadores dessa paralisação, que foi ilegal e abusiva, precisam ser responsabilizados pelos danos que causaram a todos”.

Mais de 500 ônibus foram depredados%2C segundo a RioÔnibusAlessandro Costa / Agência O Dia

Porém, mesmo com a orientação de encaminhar as agressões à esfera policial, um funcionário da Viação Redentor, que teve um veículo depredado por um homem armado, disse que a empresa não encaminharia as imagens da câmera interna à polícia. Segundo o representante da Redentor, a empresa não poderia enviar as cenas devido ao “direito de imagem das pessoas” e a polícia é que deveria requisitá-las. Além disso, também citou como obstáculo o fato de as imagens serem registradas por uma empresa terceirizada.

A Viação Jabour, que teve o maior número de veículos depredados (60), anunciou que abriria ontem ocorrência na 35º DP (Campo Grande). O coordenador de tráfego da empresa, Felipe Costa, resolveu colocar a frota na rua e, por isso, houve um grande número de depredações. “Nós não nos intimidamos e, por isso, nossos veículos foram apedrejados, a maioria em grandes vias, na madrugada de quarta para quinta-feira. Alguns usavam uniformes de rodoviário e blusas tapando o rosto. Estamos reunindo todas as imagens dos ônibus para entregá-las para a polícia”, afirmou.

Motorista não para nos pontos e deixa passageiros em pânico

Passageiros de um ônibus da linha 302 (Rodoviária-Recreio) viveram momentos de pânico na noite da última segunda-feira. O motorista do veículo desceu o Alto da Boa Vista em alta velocidade, recusando-se a atender aos pedidos dos passageiros para parar nos pontos. Em um vídeo enviado ao jornal ‘Extra’, o motorista Renato Carneiro Ferreira, de 27 anos, aparece discutindo com um passageiro que se apresentou como policial e portava uma arma de choque.

Greve dos rodoviários complica a vida dos cariocas que tentam chegar ao trabalhoOsvaldo Praddo / Agência O Dia

Renato afirmou que não parou nos pontos porque estava recebendo os choques aplicados pelo policial. Algumas testemunhas confirmaram o relato do motorista. Ele registrou a ocorrência, como lesão corporal, na 16ª DP (Barra da Tijuca).

Nas imagens, é possível notar os estalos emitidos pela arma de choque durante a discussão entre o condutor e o passageiro, mas não está claro se Renato foi de fato atingido enquanto dirigia.

O motorista disse ainda que foi agredido por outro passageiro. O condutor foi obrigado a parar. Os passageiros desceram e ele seguiu viagem sozinho.

Lotadas em táxis, polícia no ônibus e roleta liberada

Para o especialista em Engenharia de Transportes da PUC, José Eugênio Leal, a prefeitura falhou por não ter colocado em prática um plano de contingência. Segundo Leal, o primeiro erro foi a inexistência de um convênio com a Secretaria de Segurança Pública: “Quando há casos extremos, onde as pessoas correm risco, é preciso uma rápida intervenção. Muitos motoristas tentaram trabalhar e foram impedidos por piquetes. A polícia precisa atuar com precisão. E, se necessário, tem que haver policiamento dentro dos ônibus”.

Entre as medidas que poderiam ser adotadas, a liberação de lotada nos táxis seria uma opção, para Leal. “Há casos em que somente o cobrador está de greve. Então, a empresa pode liberar as roletas e colocar o carro somente com o motorista”, avalia Leal.

A volta para casa, no dia da paralisação. Para especialista, haveria como reduzir os transtornos Foto%3A Alessandro Costa / Agência O Dia

Além disso, segundo ele, a médio e longo prazo, o poder público poderia criar um banco de reserva de motoristas aposentados para atuar em casos de emergência: “A prefeitura pode exigir das empresas de ônibus um cadastro”. A criação de regras específicas na cidade para situações extremas também deve ser prioridade: “Quando é greve de um dia só, a prefeitura pode suspender aulas e também escalonar o horário do comércio”.

A Secretaria Municipal de Transportes e a Rio Ônibus dizem que já estão estudando um plano. Segundo a secretaria, as medidas adotadas na quinta-feira — como pedir à SuperVia e ao Metrô para que trabalhassem com sua capacidade máxima — visavam a reduzir os impactos causados pela paralisação.

Nas barcas, uma manhã complicada

A paciência foi a grande virtude dos passageiros das barcas que fizeram a travessia de Niterói para o Rio na manhã de ontem. Antes das 8h, as filas do lado de fora da estação Arariboia já eram extensas. A espera para embarcar chegou a uma hora, o que provocou um início de confusão, com usuários exaltados, reclamando bastante.

O motivo das filas, de acordo com a concessionária CCR Barcas, foi a manutenção emergencial de um catamarã que apresentava problemas técnicos. Para os usuários, ficou a impressão de que a concessionária não tem capacidade para operar em sua capacidade máxima. “Esperei mais de uma hora para embarcar. Vi algumas pessoas mais revoltadas, gritando, reclamando, e outras até ameaçando pular a roleta. Cheguei atrasado para trabalhar”, comenta o auxiliar administrativo Fernando Abraão, que mora em São Gonçalo e trabalha no Centro do Rio.

À tarde, a concessionária informou que o catamarã com problemas já tinha voltado a operar e afirmou que, pela manhã, os intervalos de dez minutos entre as barcas foram mantidos.
Sobre relatos de superlotação, a concessionária declarou que a capacidade máxima é rigorosamente respeitada.

A Agência Reguladora de Transportes Públicos do Estado (Agetransp) abriu um boletim de ocorrência interno para investigar as causas da irregularidade na operação nas barcas na manhã de ontem. As conclusões desse tipo de apuração levam, em média, 30 dias. Só então, a Agência poderá anunciar possíveis advertências ou multas à concessionária.

Os técnicos da Agetransp, que estavam na Estação Arariboia no momento da pane, também analisaram o atendimento prestado aos usuários.

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