Por bianca.lobianco

Rio - Uma mulher matou a facadas um suspeito de estuprar a filha dela, de apenas 6 anos, quinta-feira à noite, no Morro do Dendê, Ilha do Governador. Segundo o delegado Fábio Cardoso, da Divisão de Homicídios (DH), ela vai responder em liberdade, e o caso pode ser considerado de legítima defesa.

Carina de Souza, de 23, havia saído com o marido, Diogo Rodrigues, de 24, para lanchar numa barraca a cerca de dez metros da casa deles, na Rua Arthur Maglioli. A menina ficou no imóvel com o irmão caçula, de 3 anos, dormindo. Quando o casal voltou, estranhou que a menina estava enrolada em um edredom somente de calcinha, acordada e muito nervosa. Ao ser indagada sobre o que havia acontecido, apenas respondia: ‘Nada, nada’.

Veja o infográfico para entender a ação Arte O Dia

Ao revistar a casa, Diogo encontrou Valnei Bacelar dos Santos, de 36, escondido embaixo da cama da criança. Os dois homens começaram uma briga, e Valnei mordeu a mão direita de Diogo. Carina, então, pegou a faca na cozinha a golpeou o agressor várias vezes.

O casal saiu em busca de ajuda. Diogo foi levado para o Hospital Municipal Evandro Freire, no mesmo bairro, onde levou quatro pontos na mão. Para a mesma unidade, parentes de Valnei, também morador do morro, tentaram levar o acusado, mas ele morreu a caminho do hospital.

Carina se apresentou na 37ª DP (Ilha) na madrugada de ontem e, de lá, foi levada para a DH, onde prestou depoimento. “Eu não queria matar ninguém”.

Parentes de Valnei, que era baiano e vivia há cerca de três anos no Rio, contaram que ele já tinha histórico de violência sexual. O casal confirmou que conhecia de vista o agressor.

“É claro que ela responderá por homicídio e só a Justiça vai definir a situação dela, mas há vários atenuantes: Valnei invadiu a casa dela, tentou estuprar a filha e ainda por cima estava batendo no marido dela, tanto que o feriu gravemente na mão com uma dentada. Tudo isso será levado em conta no inquérito”, disse Cardoso.

Caso similar em São Paulo

Se Carina for inocentada, o caso não será exceção na Justiça. Em 2006, a dona de casa Maria do Carmo Ghislotti, então com 31 anos, foi inocentada com sete votos, ou seja por unanimidade, em júri popular por matar adolescente de 15 anos, que violentara seu filho de apenas 3 anos, em São Carlos (SP). O crime ocorreu dentro da Delegacia de Defesa da Mulher daquela cidade.

Segundo Maria do Carmo, seu marido surpreendeu o adolescente abusando da criança e todos foram para a delegacia. Lá, o jovem agressor disse que ‘nada aconteceria, pois ele era menor de idade’. Maria do Carmo, que explicou que andava com uma faca na bolsa por medo de assalto, pegou a arma e cortou a garganta do acusado.


Você pode gostar