Padre Omar: Nem assistencialismo, nem alívio

Temos o triste costume de, algumas vezes, usar determinadas palavras sem nos atermos ao real valor que elas têm

Por O Dia

Rio - Temos o triste costume de, algumas vezes, usar determinadas palavras ou expressões sem nos atermos ao real valor que elas têm dentro de um contexto, não é verdade? Você, por exemplo, já parou para pensar sobre o que significa a palavra ‘jamais’? Talvez você diga que é o mesmo que ‘em tempo algum’, ‘nunca’... Mas hoje é interessante refletir sobre ela, simplificando- a de uma maneira até mesmo meio redundante, porém muitíssimo direta e marcante: podemos afirmar simplesmente que ‘jamais’ quer dizer ‘jamais’ mesmo! Pois essa palavra comporta um significado que evoca algo de definitivo. Consegue perceber?

E se a gente começar a pensar com cuidado sobre o que, de fato, é definitivo, vai chegar à conclusão de que apenas o que vem de Deus não é provisório nem passageiro. Note: os que não têm fé afirmam, inclusive, que nada é definitivo. Mas não é bem assim!

Em outra ocasião — espero que você se recorde —, ao longo do estudo baseado nos escritos de São Paulo aos coríntios, pudemos aprender que Deus é eterno. Ora, se o Senhor é eterno, o que dele procede também é atemporal; ou seja, existe ou dura para sempre. Então, perceba o que o Senhor quer dizer ao ensinar que: “A Caridade jamais acabará” (I Cor 13,8a)

Se ‘jamais’ quer dizer ‘jamais’ mesmo, este versículo bíblico nos ensina que a caridade — com todas aquelas características que, semana a semana, fomos descobrindo — procede de Deus e por isso nunca vai se esgotar! Aconteça o que for, passe o tempo que passar, ela vai sempre existir, porque, no fundo, no fundo, ela reflete o próprio Deus. Veja bem: em algumas traduções, o mesmo texto utiliza a palavra ‘amor’, em vez de ‘caridade’... Então, se sabemos que “Deus é amor” (I Jo4,8), não é errado afirmarmos que Deus é caridade!

O que procede de Deus está intimamente unido à sua natureza. Esse amor-caridade, que é o amor ágape, em que há o esvaziamento de si mesmo em prol do outro, nunca vai ter fim, porque é eterno. É esse sentimento bonito, profundo, infindável e duradouro que o Senhor nos convida a experimentar, especialmente neste Ano Arquidiocesano da Caridade. Para nós, a prática da caridade não pode ser um simples assistencialismo ou mesmo um alívio da consciência. Não!

Precisa ser aprendizagem do ensinamento de Jesus, expresso por São João: “Caríssimos, amemo-nos uns aos outros, porque o amor vem de Deus, e todo o que ama é nascido de Deus e conhece a Deus. Aquele que não ama não conhece a Deus, porque Deus é amor. (I Jo 4,7-8). Se substituirmos as palavras ‘amor’ por ‘caridade’, teremos uma bela regra a praticar ao longo de toda a nossa vida. Tente!

Peço, ao finalizarmos este estudo bíblico, a graça de compreendermos que a prática da caridade, além de nos assemelhar mais a Deus, revela aos irmãos a sua face misericordiosa. Nesta sociedade, para qual nada é definitivo, eu estou disposto a viver testemunhando que o que brota de Deus não é perecível e nem tem fim, porque é eterno. E você, animado para mais esse lindo desafio de fé? ‘Tamu junto’!

Padre Omar é o Reitor do Santuário do Cristo Redentor do Corcovado. Faça perguntas ao Padre Omar pelo e-mail padreomar@padreomar.com. Acesse também www.padreomar.comwww.facebook.com/padreomarraposo

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