Por julia.sorella

Rio - Após três horas de terror, o homem identificado como Paulo Roberto, de 33 anos, que sequestrou o coletivo da linha 723 (Cascadura-Mariópolis) se entregou às 19h35 da noite deste sábado. Ele foi levado para a 39ª DP (Pavuna). De acordo com os agentes, Paulo tem cinco passagens pela polícia.

O sequestro aconteceu pouco antes das 17h na Avenida Brasil, na altura de Guadalupe, Zona Norte do Rio. Segundo informações da Polícia Militar, Paulo Roberto era usuário de crack e estava sob o efeito da droga, quando tentou assaltar o coletivo armado com uma faca. O bandido fez três reféns; o cobrador e o motorista, e Rafaela Lobo, de 18 anos.

Homens do Batalhão de Operações Especiais (Bope) tentavam negociar com o sequestrador pela janela do coletivo. Paulo chegou a pedir a presença de sua família no local. O primeiro refém a ser liberado foi o motorista. Depois de mais negociações entre o bandido e a polícia, a porta de trás do veículo foi aberta, e a jovem e o cobrador foram liberados. O sequestrador se rendeu em seguida, após pedir um colete à prova de balas aos policiais militares. 

Negociador tenta conversar com o sequestrador pela janela do ônibusReprodução TV Globo

Segundo o Centro de Operações da Prefeitura do Rio, a Avenida Brasil foi liberada por volta das 20h. Há lentidão na via, com reflexos até Irajá. Os motoristas que saem da Zona Norte/Centro podem optar pela Avenida Dom Hélder Câmara, sentido Cascadura; e Estrada Intendente Magalhães, sentido Sulacap.

Memória do caso 174

O sequestro do coletivo 723 lembra o caso do ônibus 174, ocorrido há 14 anos, na Zona Sul do Rio. Sandro do Nascimento tentou assaltar, na tarde de 12 de junho de 2000, o coletivo 174 no Jardim Botânico. O ônibus foi cercado pela polícia e o bandido fez 11 reféns.

A jovem Janaína Neves foi mantida com um arma na cabeça e obrigada a escrever mensagens na janela do veículo, como "Ele vai matar geral às seis horas" e "ele tem pacto com o diabo". Após horas de sequestro, o bandido saiu do ônibus usando a professora Geisa Firmo Gonçalves como escudo. Um soldado do Batalhão de Operações Especiais (Bope) atirou, atingindo a professora de raspão. O sequestrador reagiu e matou Geisa.

Sandro, que estava foragido quando tentou assaltar o ônibus, morreu asfixiado no carro da polícia. A história do sequestro deu origem a dois filmes: ‘Última parada: 174”, de José Padilha, e “Ônibus 174”, de Bruno Barreto.

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