Por felipe.martins

Rio - Sete armas – sendo uma escopeta calibre 12, quatro rifles e duas espingardas de chumbinho – e dezenas de munições de vários calibres que haviam sido roubadas do sítio do coronel reformado do Exército Paulo Malhães, 76 anos, foram recuperadas por agentes da Divisão de Homicídios da Baixada Fluminense (DHBF) em uma casa em Santa Cruz, na Zona Oeste do Rio, no último final-de-semana. Duas pessoas foram presas e autuadas em flagrante por porte ilegal de arma e de munição. No entanto, os nomes não foram divulgados.

Polícia encontra armas roubadas na casa do coronel MalhãesDaniel Castelo Branco / Agência O Dia

“É prematuro afirmar que eles tenham participado do ato criminoso, mas também posso dizer que estas armas não caíram no colo deles. A linha de investigação continua sendo que o caseiro, dois irmãos e mais uma pessoa participaram. Tenho certeza de que todo este material apreendido estava dentro da casa e foi subtraído”, disse o delegado Pedro Medina.

Além do armamento e da munição, os policiais recuperaram talheres e uma bolsa usada para carregar parte dos objetos – que foram reconhecidos pela viúva, Cristina Batista Malhães, 36 anos, como sendo os levados de sua propriedade, em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, no dia 24 de abril. Aparelhos de telefone celular e cerca de R$ 300 que estavam com a dupla foram apreendidos. Preso e acautelado por medida de segurança em uma cela da Divisão Antisequestro (DAS), no Leblon, na Zona Sul do Rio, o caseiro Rogério Pires Teles, 28 anos – que havia confessado participação no assalto, com seus irmãos, Anderson Pires Teles e Rodrigo Pires Teles – voltou atrás.

Preso cinco dias após o crime – quando o coronel foi encontrado morto e vários objetos levados do imóvel –, o caseiro conversou com os senadores Ana Rita (PT-ES), João Capiberibe (PSB-AP) e Randolfe Rodrigues (PSOL-AP), da Comissão de Direitos Humanos, no dia 6 de maio, e alegou que reconheceu o envolvimento dos irmãos, mas não confessou participação.

A Polícia continua apostando em latrocínio – roubo seguido de morte –, mas ressalta que só abandona outras linhas com a conclusão do inquérito.

Ex-coronel Paulo Malhães%2C que em março confessou ter sumido com o corpo do Rubens Paiva na época da ditadura%2C foi morto em casaJosé Pedro Monteiro / Agência O Dia

De acordo com depoimento prestado pela viúva do coronel, pelo menos três homens – um deles com o rosto coberto – invadiram o sítio do militar no bairro Ipiranga, na área rural de Nova Iguaçu, na tarde do dia 24 de abril. Ela disse que foi mantida refém com o caseiro, em cômodos separados, por cerca de nove horas. Os criminosos fugiram levando as armas que o oficial colecionava e dois computadores. O coronel foi encontrado morto depois que os invasores deixaram a propriedade.

Um mês antes de sua morte, o coronel Paulo Malhães admitiu à Comissão Nacional da Verdade (CNV), em Brasília, ter participado de torturas e desaparecimentos de presos políticos – entre eles o ex-deputado Rubens Paiva, preso em 20 de janeiro de 1971 – durante a ditadura militar. O deputado é um dos 183 desaparecidos políticos com o paradeiro a ser investigado pela CNV, criada pelo Governo Federal para examinar e esclarecer violações de direitos humanos praticadas durante o regime que vigorou entre 1964 e 1985.

Em seu depoimento à Comissão da Verdade, Malhães afirmou que o corpo do ex-deputado foi jogado em um rio de Itaipava, na Região Serrana do Rio, por agentes da ditadura. Cerca de uma semana depois, em outro depoimento, ele voltou atrás e negou o fato.

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