Por thiago.antunes

Rio - O principal líder da greve dos rodoviários, Hélio Alfredo Teodoro, afirmou na tarde desta terça-feira, em resposta à decisão do Tribunal Regional do Trabalho (TRT), que os dissidentes não têm controle sobre os grevistas e, portanto, não há como pedir que todos voltem ao trabalho nesta quarta-feira. "A categoria está revoltada e, como a paralisação já estava prevista para amanhã, não temos como controlar", disse.

Hélio Alfredo Teodoro pediu desculpas à população pelos transtornos e afirmou que grevistas querem trabalharErnesto Carriço / Agência O Dia

Segundo ele, a adesão ao movimento é de 80%. Uma nova assembleia acontece nesta quinta-feira na Candelária, às 16h, para definirir os rumos da greve. "Nós não queremos continuar em greve. Queremos ser ouvidos. Queremos o fim da dupla-função e o aumento de 40%, mas estamos abertos a negociações", enfatizou Hélio. Ele ainda pediu apoio ao prefeito Eduardo Paes. “Ele poderia intervir nesta situação e obrigar a Rio Ônibus a negociar”, completou. A assessoria do prefeito disse que ele não vai se pronunciar.

Sobre a ação da Justiça que impede Hélio, Maura Lúcia Gonçalves, Luís Claudio da Rocha Silva e Luiz Fernando Mariano, de "promover, participar, incitar greve e praticar atos que impeçam o bom, adequado e contínuo funcionamento do serviço de transporte público" e permanecer distantes de garagens de empresas consorciadas filiadas à Rio Ônibus, Hélio foi taxativo: "Não durmo desde ontem. Fomos notificados oficialmente, mas estamos com medo. Fui notificado por companheiros de trabalho". Luís Claudio, com medo, não apareceu na reunião.

Maura Lúcia também comentou o episódio: "A gente está fazendo o movimento para melhorar a condição dos trabalhadores e agora fomos pegos de supresa com essa decisão do tribunal. Os assessores jurídicos disseram que vão recorrer ao serem notificados".

Hélio também falou sobre o possível envolvimento de milicianos nos ataques aos ônibus e nas ameças aos motoritas, principalmente nas companhias localizadas na Zona Oeste da cidade. "Na Pegasus, um (Renault) Sandero branco fica circulando pela região, como se estivesse monitorando os motoristas e na Campo Grande há seguranças armados que disparam contra os trabalhadores que tentam conversar com os motoristas. Quem garante que o sindicato não coloca essas pessoas para enfraquecer nosso movimento?", indagou.

>>>GALERIA: Nova paralisação dos ônibus atrapalha a vida do carioca

O sindicato das empresas de ônibus, Rio Ônibus, divulgou, na tarde desta terça, imagens de depredação de um coletivo no IAPI da Penha. O vídeo mostra homens quebrando o retrovisor do veículo. A Fecomércio estimou de que 888,5 mil trabalhadores do setor tenham sido afetados pela greve dos ônibus desta terça-feira. O contingente corresponde a 44% dos cerca de 2 milhões de passageiros que sofreram consequências da interrupção da circulação dos coletivos.






Reforço nos transportes

A Prefeitura do Rio, por meio da Secretaria Municipal de Transportes (SMTR), da CET-Rio, da Secretaria Especial de Ordem Pública (Seop) e da Guarda Municipal, em parceria com o Rio Ônibus, Polícia Militar, Metrô Rio, Supervia e CCR Barcas, informou que manterá em operação o plano de contingência para minimizar os impactos à população em função da paralisação dos rodoviários nesta quarta.

A prefeitura reforça que os carros continuam autorizados a circular na faixa seletiva da Avenida Brasil e nos corredores do BRS. O plano prioriza metrô, trens e barcas, reforçando as linhas de ônibus que fazem integração física com esses modais, além de linhas essenciais para deslocamento da população em áreas atendidas apenas por ônibus. Os serviços do BRT Transoeste também fazem parte do plano.

De acordo com o Rio Ônibus%2C mais de 150 coletivos foram danificados nesta terça-feiraDivulgação / Rio Ônibus

O reforço da Polícia Militar será na saída das garagens dos quatro consórcios, nas estações do BRT Transoeste e nos terminais de ônibus para aqueles que optarem por não aderir à paralisação. Agentes da Guarda Municipal e controladores de trânsito reforçarão a operação nas ruas.

SuperVia

- Antecipação do início da operação no horário do pico da manhã em 90 minutos. Ou seja, a partir das 4h30 desta terça-feira, a Supervia vai operar com capacidade máxima, reduzindo o intervalo entre as composições. Vale ressaltar que os trens começam a circular às 4h;

- Reforço na operação dos trens especiais – Partidas de Bangu, Campo Grande, Deodoro e Madureira;

- Prolongamento da operação no horário do pico da tarde: em função da demanda.

Metrô

- Antecipação do início da operação no horário do pico da manhã em 60 minutos. Ou seja, a partir das 5h30, o Metrô Rio vai operar com capacidade máxima, reduzindo o intervalo entre as composições. Vale ressaltar que o metrô começa a circular às 5h;

- Prolongamento da operação no horário do pico da tarde: em função da demanda.

Apenas 10% da frota de ônibus está circulando na cidade do Rio de Janeiro. Greve terá duração de 48 horasFoto%3A Osvaldo Praddo

Barcas (Cocotá – Praça XV)

- Antecipação da operação no horário do pico da manhã em 30 minutos, reduzindo o intervalo entre as embarcações: a partir das 6h30 com partidas Cocotá;

- Aumento da oferta de lugares (com partidas simultâneas e?ou embarcações de maior capacidade);

- Extensão da operação no horário do pico da tarde: antecipação e prolongamento em 60 minutos - Partidas Praça XV.

Ônibus

- Prioriza as ligações com outros modais (linhas de ônibus intermunicipais, trem, barcas e metrô);

- Prioriza circulação de linhas essenciais para o deslocamento da população em áreas não atendidas por outros modais de transportes.

Desembargadora determina retorno de 70% ao trabalho

A desembargadora Maria das Graças Cabral Viegas Paranhos, vice-presidente do Tribunal Regional do Trabalho do Rio, concedeu, no início da tarde desta terça-feira, liminar que determina o retorno de pelo menos 70% do efetivo total do quadro de rodoviários da cidade. Ela pede também que a população e as empresas sejam avisadas da paralisação com antecedência de três dias. "São obrigados a comunicar a decisão aos empregadores e aos usuários com antecedência mínima de 72 (setenta e duas) horas da paralisação", diz a decisão.

De acordo com o Rio Ônibus%2C mais de 150 coletivos foram danificados nesta terça-feiraSeverino Silva / Agência O Dia

O não cumprimento da liminar acarretará multa diária de R$ 50 mil contra o Sindicato Municipal dos Trabalhadores Empregados em Empresas de Transporte Urbano de Passageiros (Sintraturb). De acordo com a decisão, o transporte rodoviário de passageiros é uma atividade essencial e o sindicato é o legítimo representante da categoria, sendo responsável pela retomada da frota.

Rodoviários quebram chave de ônibus e são presos

Policiais do BPVE (Batalhão de Policiamento de Vias Especiais) prenderam na manhã desta terça-feira um homem e uma mulher, funcionários da Viação São Silvestre. De acordo com passageiros da linha 945 (Pavuna x Ilha do Fundão), da Viação Via Rio, eles obrigaram o motorista a parar o coletivo na pista lateral de descida da Avenida Brasil, na altura da Penha, pegando e quebrando a chave do veículo. A dupla foi encaminhada para a 22ªDP (Penha), onde o caso foi registrado.

Já na Tijuca, policiais do Batalhão de Choque prenderam quatro pessoas que ocupavam duas motos, na Praça Saens Peña, que tentavam obrigar um motorista de ônibus a desembarcar do veículo. Eles tentaram fugir da PM, mas foram detidos e levados para a 19ªDP (Tijuca).

Apenas 10% da frota de ônibus está circulando na cidade do Rio de Janeiro. Greve terá duração de 48 horasFoto%3A Osvaldo Praddo

Em Santa Cruz, cinco pessoas foram detidas na Rua Felipe Cardoso em um carro particular suspeitas de depredarem ônibus no bairro. A PM recebeu alerta, via rádio, sobre os suspeitos.

Eles teriam depredado ônibus do BRT na estação Pingo D'Água, e fugiram no carro interceptado pelos policiais. Todos os cinco são rodoviários e trabalham na Viação Pégaso. Com os homens foram encontrados paus e pedras. O ônibus do BRT que foi depredado foi levado, por ordem da empresa, para a porta da 36ª DP (Santa Cruz) para registrar queixa.

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