Por thiago.antunes

Rio - A Polícia Militar deve anunciar, nas próximas horas, a troca de comando na Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) do Morro dos Macacos, em Vila Isabel, Zona Norte do Rio. O capitão Carlos Eduardo Panza poderá ser substituído pelo major Bruno Amaral, da UPP Parque Proletário, no Complexo da Penha. Os últimos episódios de violência na comunidade seriam o motivo da mudança. A assessoria da Polícia Militar negou a informação, mas círculos internos dão a troca como certa.

No último dia 5, o menino Vitor Gomes Bento, oito anos, foi baleado na cabeça durante troca de tiros entre PMs e bandidos no local. O episódio desencadeou onda de protestos de moradores, que culminou com ônibus depredado, fogo em barricadas nos acessos à favela e conflito entre manifestantes e policiais militares. Por volta das 22h, um PM deu entrada no Hospital Federal do Andaraí com o braço quebrado e outra criança com escoriações.

Patrulhamento estava reforçado no Morro dos Macacos%2C em Vila Isabel%3A militares de unidades especiais e de outras UPPs seguiram para a favela%2C onde houve protestosSeverino Silva / Agência O Dia

De acordo com a Coordenadoria de Polícia Pacificadora, policiais da UPP em patrulhamento na localidade conhecida como Favelinha se depararam com criminosos armados, que atiraram contra os policiais. Os PMs revidaram e os bandidos fugiram. Porém, mais à frente, já num ponto chamado Rachadura, iniciaram novo confronto com outra equipe da UPP.

No dia seguinte, mais confrontos. Moradores fizeram novo ato e queimaram pneus e barricadas, além de tentar fechar os acessos à comunidade. PMs dispersaram o protesto com bombas de efeito moral.

Pesadelo de tempos antigos está voltando'

Por meio do WhatsApp do DIA (98762-8248), moradores relataram o medo de quem mora na região. “O bicho tá pegando. Muita confusão, veículo depredado e muita fumaça na vias de entrada do Morro dos Macacos. Estamos apavorados”, desabafou um deles.

“Estou receoso em voltar para casa. E minha mulher e minhas filhas estão sozinhas. Meu Deus, o pesadelo de tempos antigos está voltando!”, comentou outro. O policiamento seguirá reforçado hoje, diz a PM.

Tiroteios em morros pacificados no Rio têm ocorrido com frequência e feito vítimas inocentes. No dia 27 de abril, por exemplo, Dalva Bezerra de Assis, de 72 anos, morreu, ao ser baleada após tiroteio entre policiais da UPP Nova Brasília e criminosos, no Conjunto de Favelas do Alemão.

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