Líder dos grevistas pede desculpas à população pela falta de transporte

Hélio Teodoro também criticou motoristas que trabalharam sem uniforme e disfarçados: 'exagero'

Por O Dia

Rio - Apesar de defender a paralisação, um dos líderes do grupo de rodoviários grevistas, Hélio Teodoro pediu desculpas aos cariocas pelos transtornos. Ele também criticou motoristas que foram trabalhar disfarçados, dizendo que foi um "exagero". 

"Hoje, a adesão hoje foi de 70%. Com certeza a greve não foi boa para a população, nem para empresas de ônibus e para os rodoviários. Peço novamente desculpas à população pelo que está acontecendo. Mas foi a forma que tivemos para chamar a atenção para o que está acontecendo", disse ele, que faz parte da comissão dos dissidentes do Sintraturb, sindicato que representa os rodoviários do Rio. 

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Hélio é associado ao sindicato e liderou o movimento dissidenteAlessandro Costa / Agência O Dia

Segundo Hélio, os motoristas que foram trabalhar sem uniforme - alegando evitar represálias de grevistas -, estão sendo pagos pelas empresas.

"Foi um exagero não usarem uniforme. As empresas nunca deixam a gente trabalhar assim, mas hoje estão comprando os funcionários. Muitos ganharam R$ 200 para trabalhar hoje. E como salário está defasado, muitos estão endividados e aceitam", declarou. 

A paralisação termina às 23h59 desta quarta-feira e uma nova assembleia, que está marcada para as 16h desta quinta, na Candelária, decidirá os rumos do movimento. 

Os representanets do grupo de grevistas preferem não adiantar se haverá uma nova greve. Mas afirmam que as reivindicações vão continuar. "O Sintraturb é nosso representante legal, mas não nos consultou quando decidiu pelo aumento de 10%, sem consentimento da categoria. Foi uma apunhalada pelas costas", disse Hélio. 

40% da frota circula nas ruas do Rio

A Secretaria Municipal de Transportes informou que pelo menos 40% da frota está circulando nas ruas. E o BRT Transoeste, que começou a operar com 40% de sua frota ontem pela manhã, nesta quarta-feira iniciou sua operação com 50% dos coletivos circulando no eixo Barra da Tijuca - Santa Cruz e estendeu ainda pela manhã para 55%.

Ainda segue suspensa a circulação no eixo da Avenida Cesário de Melo, que atende a região de Campo Grande. Segundo a secretaria, a medida foi tomada porque não há ônibus suficiente na região. Trens, metrô e barcas também seguem com o reforço em suas operações, e ônibus estão dando prioridade a ligação com outros modais e a áreas não atendidas por outros meios de transporte.

Secretário municipal de Transportes, Alexandre Sansão afirmou que nesta quarta-feira há mais ônibus nas ruas, em comparação ao dia de ontem: "Muitos rodoviários perderam o medo dos grevistas e conseguiram chegar às garagens de suas empresas para trabalhar", disse. 

A circulação de carros de passeio nas faixas exclusivas para ônibus nos corredores BRS da cidade e na faixa seletiva da Avenida Brasil - medida adotada, excepcionalmente, ontem pela Prefeitura do Rio - continuou liberada no início da manhã desta quarta-feira. Mas, depois das 12h desta quarta-feira, voltou a ser proibida,e  os carros que forem flagrados na faixa seletiva serão multados. 

>>> GALERIA: Segundo dia de greve tem filas e poucos ônibus

Com a greve, mototaxistas cobram R$50 na Zona Oeste

Aproveitando-se da greve dos rodoviários no município do Rio, mototaxistas de Rio das Pedras, na Zona Oeste, estão superfaturando os valores das corridas. Uma viagem até o Rio Design, na Barra da Tijuca, está saindo por até R$ 50 nesta quarta-feira. O ponto fica na Avenida Engenheiro Souza Filho, a 50 metros de agentes da Guarda Municipal.

Com a paralisação de mais de 80% dos rodoviários na cidade, a demanda aumentou para os mototaxistas. Garçons, pedreiros e até porteiros reforçam a frota para complementar a renda. Quase não se vê ônibus na região e algumas pessoas relatam esperar até uma hora por um ônibus para o Recreio dos Bandeirantes, também na Zona Oeste. Apesar do grande número de pessoas esperando nos pontos, a situação é menos crítica que ontem, primeiro dia da paralisação.

Vans irregulares também circulam na região e fazem lotadas para a Zona Sul da cidade. O preço da passagem sai por R$ 3. Questionados sobre as ações clandestinas, guardas municipais reconheceram ser irregulares, mas que "coibir cabe à SMTR (Secretaria Municipal de Transportes)." Uma delas foi apreendida sem documentação pela GM após o questionamento de nossa reportagem.

Homem é preso fazendo lotada

Um homem foi preso por policiais do Batalhão de Choque na manhã desta quarta-feira, também em Rio das Pedras, por fazer lotada em carro particular. De acordo com a polícia, ele estava visivelmente alterado e resistiu à prisão.

Gérson Gonçalves da Silva, de 21 anos, foi preso por desacato e levado para a 32ª DP (Taquara), onde o caso foi registrado. Seu carro, um Fiat Mille, placa GUH-7710, de Queimados, foi rebocado. Desde o início da manhã, policiais da PM, Civil e a Guarda Municipal estão na região.

A circulação de carros de passeio nas faixas exclusivas para ônibus nos corredores BRS da cidade e na faixa seletiva da Avenida Brasil - medida adotada, excepcionalmente, ontem pela Prefeitura do Rio - continuou liberada no início da manhã desta quarta-feira, mas voltou a ser proibida por volta das 7h. Isto porque, de acordo com o secretário municipal de Transportes, Alexandre Sansão, "mais ônibus estão circulando nas ruas". A paralisação termina às 23h59 de hoje.


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