Por nicolas.satriano
Publicado 17/05/2014 14:05 | Atualizado 17/05/2014 16:19

Rio - ?Depois de ser ocupado por desabrigados e ser alvo de operação da PM para reintegração de posse, o terreno da Oi no Engenho Novo deverá receber novamente famílias que não têm onde morar. Desta vez, contudo, para recomeçar a vida em cerca de 1.300 residências que serão construídas no local e entregues no programa Minha Casa, Minha Vida, do governo federal. Essa foi a promessa feita na manhã deste sábado pelo prefeito Eduardo Paes, em pronunciamento na Zona Norte.

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O prefeito participou da  entregua dos últimos 740 imóveis do Bairro Carioca, em Triagem. O programa faz parte do programa Minha Casa, Minha Vida e pretende entregar 2.240 moradias para famílias com renda de até R$ 1.600 e transferidas de áreas de risco ou obras. Até o momento, 1.500 famílias foram reassentadas no Bairro Carioca.

Desocupação e protestos

Na madrugada do dia 31 de março, cerca de 1.500 pessoas de comunidades próximas ocuparam os quatro terrenos, de mais de mil metros quadrados, em frente ao antigo complexo de prédios da Telemar, na Rua Dois de Maio, no bairro do Engenho Novo. O número de ocupantes chegou a 5 mil. Na época, os novos moradores justificaram a ocupação alegando que a área estava abandonada havia mais de dez anos enquanto eles pagavam aluguéis caros em áreas de risco.

Durante o dia, houve enfrentamento entre ocupantes — das comunidades do Rato Molhado, 22 de Maio, Manguinhos e Jacaré — e policiais que tentavam conter saques. Enquanto isso, mulheres limpavam e ‘loteavam’ espaços, onde barracos eram erguidos.

Após a reintegração de posse, ocupantes do terreno da Oi no Engenho Novo acamparam em frente à sede da PrefeituraMaíra Coelho / Agência O Dia (11/5/2014)

No dia 11 de abril, a Polícia Militar começou a reintegração de posse da favela.O Batalhão de Choque da Polícia Militar concluiu em três horas o processo de desocupação do terreno.

Poucas pessoas que estavam no local ficaram em frente ao edifício com os pertences que conseguiram levar. Pessoas que estavam sendo removidas do terreno reclamaram de truculência por parte da polícia.

Na época, dezenas de moradores chegaram a fazer um ato pacífico. No entanto, no mesmo dia, mais cedo, houve tumulto na entrada da Favela do Jacarezinho, onde manifestantes jogaram pedras nos militares e atearam fogo a entulho deixado no meio da rua. Os PMs recorreram a bombas de gás lacrimogêneo, além de disparar tiros de pistola para o alto a fim de dispersar os manifestantes.. 

Micro-ônibus da Comlurb é depredado por moradores da "Favela da Telerj"Osvaldo Praddo / Agência O Dia

Bombeiros atenderam sete pessoas

A reintegração fez, pelo menos, sete vítimas, entre elas três menores de idade - de 9 anos, 13 anos e um bebê de seis meses. A maioria foi atendida por inalar fumaça no incêndio. Cerca de 80 bombeiros de 16 quarteis foram ao local. Manifestantes atearam fogo a quatro ônibus, um carro e dois caminhões. Houve focos de incêndio dentro do terreno ocupado.

Bancos foram saqueados

A situação continuou  tensa na região do Engenho Novo, Jacaré e Manguinhos. A todo momento policiais militares e manifestantes entravam em confronto em diversos pontos. Na Rua Lino Teixeira, no Jacaré, agências do Itaú e Caixa foram saqueadas e quebradas por manifestantes. Com a chegada do Batalhão de Choque, eles saíram do local com computadores, materiais eletrônicos dos bancos para favelas próximas. Há barricadas de fogo na rua e confronto a todo instante.

Reintegração de posse na 'Favela da Telerj'Fabio Gonçalves / Agência O Dia

Um CIEP na Rua Álvares de Azevedo foi atingido a pedradas. O acesso à rua foi bloqueado por manifestantes que fecharam a pista com pedaços de paus, pedras e pneus.

Em nota, o governo do estado, informou que, cumpria ordem judicial expedida pela juíza da 6ª Vara Cível da Comarca Regional do Méier, Maria Aparecida Silveira de Abreu, que deferiu liminar para reintegração de posse do imóvel localizado na Rua 2 de Maio, no Engenho Novo. A Polícia Militar realiza a operação de apoio aos 40 oficiais de Justiça que cumprem o mandato.

Repórter é detido pela polícia

O repórter Bruno Amorim, do jornal "O Globo" foi detido por PMs enquanto filmava a ocupação, sob a acusação de incitar a violência e atirar pedras contra os policiais. O jornalista, que filmava a ação dos PMs, teve seu celular quebrado. Além disso, carros da TV Globo, SBT e Record foram apedrejados pelos manifestantes.

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