Por thiago.antunes

Rio - A funcionária pública Dóris Oliveira, de 56 anos, esperava as manifestações em frente a sua casa, no Palácio Larajeiras, acabarem, para retomar a sua rotina. Também deixava mais cedo o trabalho, no Centro, para não coincidir com o horário dos protestos. Dóris representa a maioria dos entrevistados que responderam a pesquisa da Federação do Comércio do Rio (Fecomercio Rj) que mostra que seis a cada dez brasileiros afirmaram que suas rotinas de lazer ou consumo foram alteradas pelos protestos.

O levantamento foi feito entres 18 e 26 de fevereiro e ouviu mil brasileiros, divididos em 70 municípios em nove regiões metropolitanas. Segundo o resultado, 39% tiveram o consumo afetado e, cerca de 29%, o lazer, como a jornalista Cristina Rigitano, 40, moradora de Laranjeiras. Ela também evitava que o filho de 13 anos saísse à rua durante os atos, com medo do confronto entre manifestantes e Polícia.

Para Dóris, se não fosse a violência no final das manifestações, até ela sairia do refúgio de sua casa e se juntaria aos atos. “Tenho medo quando aparecem os encapuzados. Eles atrapalham quem quer participar e o morador”, disse. Já Cristina, que teve os pneus de seu carro furados nos atos, reclama do caos causados na região.

“A guerra parece que é contra o povo, que não pode sair de casa, e não contra as autoridades, que ficam em paz em suas casas. Me sinto na Ucrânia nos dias de bombardeio”, afirma. O presidente do Saara, Énio Bittencourt, estima que, nos dias em que a população foi às ruas no Centro, as vendas tenham diminuído cerca de 30%.

“A freguesia fica com medo de circular aqui, embora tenhamos um forte esquema de segurança particular”, afirmou. Já o presidente da Associação Comercial do Rio (ACRJ), Antenor Leal, recomendou aos lojistas fecharem seus estabelecimentos. “Os prejuízos com um dia a menos de venda podem ser menores do que as depredações. O sentimento de insegurança é grande”, declarou.

A mesma pesquisa concluiu que 59% da população veem como solução para a violência dar melhores condições de vida para o cidadão, como saúde, moradia e emprego. No mesmo período no ano passado, 63% escolheram essa opção.

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