Por felipe.martins

Rio - O governador do estado, Luiz Fernando Pezão, comentou nesta terça-feira sobre a prometida paralisação de policiais civis, prevista para esta quarta. Ele negou a possibilidade de aumento para a categoria, a principal reivindicação dos sindicatos. Os agentes cruzam os braços por 24 horas em adesão à paralisação nacional convocada pela Confederação Brasileira de Trabalhadores Policiais Civis (Cobrapol)

"Teve uma decisão do Supremo proibindo esse greve. As reivindicações são justas de todos os segmentos, mas aqui a gente fez o dever de casa. Claro que se puder dar mais, darei mais. Mas não agora. Acabei de dar um reajuste de 12%", disse Pezão.

A categoria dos policiais pede a incorporação da gratificação do programa Delegacia Legal ao salário, o que representaria um aumento de R$850. Pezão lembrou a Lei de Responsabilidade Fiscal para dizer que não cometeria "nenhuma loucura" para atender às reinvindicações dos grevistas.

'Não vou cometer nenhuma loucura', diz o governador sobre a reivindicação dos policiaisFernando Souza / Agência O Dia

"Não vou cometer nenhuma loucura dando um aumento que não possa pagar depois e perder todas as conquistas que tivemos. Não vou fazer isso no último ano de governo com a Lei de Responsabilidade Fiscal. Hoje o funcionalismo trabalha 30 dias e recebe no primeiro dia útil. Décimo - terceiro em dia. Então, essas conquistas a gente não pode perder".

O governador citou ainda dados sobre o investimento do governo com Segurança Pública. "Demos às forças de segurança mais de 120% de aumento nos mais de sete anos do nosso governo. Acabamos de dar o dobro do IPCA para os policiais militares e civis, agentes penitenciários e bombeiros. Quando entramos o estado gastava com Segurança Pública 2,2 bilhões de reais. Hoje gasta 9,4 bilhões de reais. Agora, para dar mais reajuste, tem que ter recurso".

Sobre o tamanho da adesão, o governador fez referência à greve dos professores, que segundo ele, acabou frustrada pela baixa adesão. "Não sei qual será a adesão. Os professores também decretaram e apenas 0,3% aderiram a greve. A gente tem que ver o que está por trás desses movimentos".

O presidente do Sindicato dos Funcionários da Polícia Civil (Fernando Bandeira), disse por sua vez que a categoria pode decidir deflagrar a greve a partir da próxima segunda-feira. "Nós vamos fazer uma assembleia na próxima segunda. O destino da greve vai ser decidido nessa reunião", declarou.

Decisão anunciada nesta segunda

A decisão foi anunciada nesta segunda-feira por dois sindicatos. O comissário Fernando Bandeira, do Sindicato dos Funcionários da Polícia Civil do Rio (Sinpol), disse que a expectativa é de que mais de 60% dos agentes não trabalhem, e que a categoria vai respeitar a norma de que 30% de efetivo tenha que trabalhar normalmente.

Segundo o presidente do Sindicato dos Policiais Civis do Rio (Sindpol), Francisco Chao, os agentes vão atender todas as ocorrências de violência, como roubos, estupros e homicídios, além de prisões em flagrantes. No entanto, nenhuma investigação será realizada neste dia. “Nossa tentativa de negociar com o governo já dura um ano. O ex-governador Sérgio Cabral nos recebeu em dezembro e prometeu conversar, mas empurrou o caso para o atual, Luiz Fernando Pezão. Até agora não tivemos nenhuma resposta e o clima de insatisfação é muito grande na categoria”, afirmou Chao.

O complexo de delegacias Cidade da Polícia, no Jacarezinho, foi o local escolhido como ponto de encontro da categoria no dia da paralisação para discutir a situação. Dali, eles partem para o Clube Municipal, na Tijuca, onde haverá assembleia às 19h.

A remuneração base de um policial em início de carreira, gira em torno de R$ 939,14. Com as gratificações por tempo de serviço, cargo e do programa Delegacia Legal, pode chegar a R$ 3.700. A categoria quer que este última benefício, de R$ 850, seja incorporado ao salário, entre outras reivindicações.

Em nota, a Polícia Civil diz que considera inadequada a paralisação porque há negociação em andamento. “Todas as medidas necessárias visando o bom atendimento à população serão tomadas pela chefia, que acredita no bom senso da categoria para manter o canal de negociação aberto”, diz o texto. Cerca de 40 policiais participaram ontem de reunião na sede do Sinpol, no Centro. A expectativa era de que 850 agentes participassem. Na sexta-feira, o Sinpol promoverá um ato, às 10h, em frente à Chefia de Polícia Civil, também no Centro.

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