Por thiago.antunes

Rio - Para continuar na PM, Rafael Francisco Carvalho ganhou ontem um aliado de peso: o presidente da Comissão de Direitos Humanos e Cidadania da Alerj, Marcelo Freixo (PSol). Ele defendeu a permanência do aspirante na corporação. “O que prejudica a imagem da PM é a violência, a tortura em episódios de treinamento, como aconteceu com a morte de Paulo Aparecido”, afirmou o deputado, referindo-se ao episódio no qual o jovem e mais 32 alunos passaram mal em um treinamento no Centro de Formação e Aperfeiçoamento de Praças (Cfap), no final do ano passado.

“Se esse rapaz que dançou for expulso será mais um ato de violência da PM. E não é essa PM que a sociedade clama. É preciso uma visão menos militar dos fatos”, analisou Marcelo Freixo.

Sonho virou pesadelo

O sonho de Rafael de virar policial militar virou pesadelo por causa de uma dancinha desengonçada. De cueca, ele foi filmado por colegas num vestiário da PM. O vídeo foi parar na internet, e o que seria apenas brincadeira se transformou em drama para o jovem e outros dois aspirantes. Eles, que se formariam hoje, às 10h, no 20º BPM (Mesquita), na Baixada Fluminense, e fariam o juramento como militares, foram proibidos de participar da solenidade.

O trio será submetido a Conselho Escolar de Disciplina (CED) e pode ser expulso da corporação em tempo recorde. Além de Rafael, uma aluna que filmou a dança e outro que publicou o vídeo foram punidos. De acordo com a PM, a formatura dos estudantes fica pendente até a decisão do CED.

Nas imagens, ele dança de cueca puxando a camiseta contra o corpo animadamente. Outros policiais também assistem ao ‘show’. Procurada, a PM informou que abriu investigação para apurar o caso. Para o deputado estadual Flávio Bolsonaro (PP), vice-presidente de Comissão de Segurança Pública e Assuntos de Polícia da Alerj, Rafael deveria ter feito prova para o grupo Gaiola das Popozudas e pedido vaga para o clipe da música ‘Beijinho no ombro’, da cantora Valesca Popozuda. Porém, ainda segundo ele, ser expulso da corporação seria uma espécie de pena administrativa de morte.

O parlamentar defende que a PM tem transgressões muitos mais graves para combater. “Foi um momento de descontração. A PM tem que expulsar aquele que vende armas para traficantes de drogas, que mata e extorque as pessoas nas ruas”, analisou o deputado.

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