Por paloma.savedra

Rio - Os policiais civis do Rio registram, nesta quarta-feira de paralisação da categoria, uma redução da procura por atendimento nas delegacias da cidade. Na 21ª DP(Bonsucesso), uma das unidades com maior número de demandas, por exemplo, o público era menor do que o de costume. 

Além disso, apesar da forte adesão dos policiais à paralisação, e o efetivo reduzido de agentes nas delegacias, o atendimento não foi prejudicado. Nesta manhã, O Dia percorreu algumas unidades - como a 5ª DP(Gomes Freire), 17ª DP(São Cristóvão), e 21ª DP(Bonsucesso) - e o Instituto Médico Legal (IML), e constatou que o número de funcionários foi suficiente para atender a população. 

Os policiais - com exceção dos que estão de plantão - estão sendo liberados para a concentração marcada para esta tarde, a partir das 14h, na Cidade da Polícia, antes da assembleia no Club Municipal, na Tijuca. O objetivo é reunir os agentes, para que todos sigam em passeata até o local. 

Durante paralisação desta quarta-feira%2C policiais se reúnem na Cidade da Polícia%2C para passeata até a TijucaSeverino Silva / Agência O Dia

Por meio de nota, a assessoria da Polícia Civil informou que a população pode pré-agendar o registro de ocorrência pela internet, através do site www.policiacivil.rj.gov.br, onde encontrará o link. Apenas crimes de roubo de carro e homicídio não podem ser pré-registrados.

Sindicato dos Delegados reitera apoio à reivindicação

O Sindicato dos Delegados de Polícia do Rio (Sindelpol) reiterou apoio integral ao pleito salarial dos agentes da Polícia Civil do estado. Segundo a nota, possíveis desgastes com os policiais são fruto do descumprimento de promessas feitas à classe.

A remuneração-base de um policial em início de carreira gira em torno de R$ 939,14. Com as gratificações por tempo de serviço, cargo e do programa Delegacia Legal, pode chegar a R$ 3.700. A categoria quer que este último benefício, de R$ 850, seja incorporado ao salário, entre outras reivindicações.

Paralisação nacional

Nas delegacias de todo estado, policiais civis aderem hoje à paralisação nacional da categoria por 24 horas. A possibilidade de uma greve por tempo indeterminado no Rio será discutida às 19h, no Clube Municipal, na Tijuca. “Vamos discutir o assunto em assembleia. Uma greve não está descartada”, informou o presidente do Sindicato dos Policiais Civis do Rio (Sindpol), Francisco Chao.

Uma paralisação por tempo indeterminado também é ventilada pelo presidente de outra entidade que representa a categoria, o Sindicato dos Funcionários da Polícia Civil do Rio (Sinpol), Fernando Bandeira. “Nossa assembleia será na próxima segunda-feira, mas estaremos todos juntos nesta quarta-feira (hoje)”, garante.

O governador Luiz Fernando Pezão disse ontem que tudo será analisado com calma. “Para dar mais reajustes tem que ter recursos. Se eu tiver espaço para dar mais aumento não deixarei de fazer”, garantiu. “Tenho até 30 de junho... 3 de julho pra analisar esses números. Não vou cometer nenhuma loucura dando um aumento que não possa pagar depois e perder todas as conquistas que tivemos.”

A Polícia Civil informou que as medidas necessárias visando ao bom atendimento à população serão tomadas. De acordo com os dois sindicatos da categoria, os agentes vão atender a todas as ocorrências de violência, como roubos, estupros e homicídios, além de prisões em flagrante.

A mobilização dos policiais civis pode ser seguida por outras categorias similares. Associações da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros elaboraram uma lista de reivindicações para as classes. No entanto, o diálogo ainda é tido como principal arma de estratégia. De acordo com o presidente da Associação de Praças da PM, Vanderlei Ribeiro, as classes reivindicam a atualização da lei de remuneração da Polícia Militar e dos Bombeiros, uma jornada de trabalho de, no máximo, 44 horas e a revisão do regulamento.

“Primeiro vamos finalizar este documento na quinta-feira (amanhã), com percentuais de reajuste, entregá-lo na outra semana ao presidente da Alerj, deputado Paulo Melo (PMDB)”, disse. “Agendaremos um encontro com o governador Luiz Fernando Pezão. Falar sobre paralisação ainda é especulação diante do diálogo”, disse.


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