Por paulo.gomes

Rio - Desde as primeiras horas desta quarta-feira, a Polícia Civil do Rio está realizando uma paralisação de 24h. Chamada de "Operação Tartaruga", o objetivo do movimento é pressionar o governo para cumprir algumas de reivindicações da categoria, como o reajuste salarial de 80% com a incorporação das gratificações da Delegacia Legal. A promessa é que cerca de 30% dos policiais estejam trabalhando nesta quarta.

"A paralisação já começou em mais de 100 delegacias do estado através da 'Operação Tartaruga' que consiste em fazer os flagrantes e registros de casos mais graves como homicídios, latrocínios, assaltos, estupros e danos ao patrimônio público ou privado. Nos crimes de menor potencial ofensivo como furtos de celulares e pequenos objetos, a vítima será orientada a voltar no dia seguinte", diz o comissário Fernando Bandeira, presidente do Sindicato dos Policiais Civis (Sinpol)..

Polícia Civil prevê paralisação de 40% dos agentes que atuam somente nas investigações de casosSeverino Silva / Agência O Dia

A partir das 10h, os agentes farão uma manifestação em frente à Chefia de Polícia, na Região Central da cidade. Às 14h, os policiais partem para o complexo de delegacias Cidade da Polícia, no Jacarezinho, onde irão discutir a situação. Depois seguem a pé para a Tijuca.

A remuneração-base de um policial em início de carreira gira em torno de R$ 939,14. Com as gratificações por tempo de serviço, cargo e do programa Delegacia Legal, pode chegar a R$ 3.700. A categoria quer que este último benefício, de R$ 850, seja incorporado ao salário, entre outras reivindicações.

O Sindicato dos Delegados de Polícia do Rio (Sindelpol) reiterou apoio integral ao pleito salarial dos agentes da Polícia Civil do estado. Segundo a nota, possíveis desgastes com os policiais são fruto do descumprimento de promessas feitas à classe.

Greve pode ser por tempo indeterminado

A possibilidade de uma greve por tempo indeterminado será discutida às 19h, no Clube Municipal, na Tijuca, Zona Norte. “Vamos discutir o assunto em assembleia. Uma greve não está descartada”, informou o presidente do Sindicato dos Policiais Civis do Rio (Sindpol), Francisco Chao.

O governador Luiz Fernando Pezão disse nesta terça-feira que tudo será analisado com calma. “Para dar mais reajustes tem que ter recursos. Se eu tiver espaço para dar mais aumento não deixarei de fazer”, garantiu. “Tenho até 30 de junho... 3 de julho pra analisar esses números. Não vou cometer nenhuma loucura dando um aumento que não possa pagar depois e perder todas as conquistas que tivemos.”

A mobilização dos policiais civis pode ser seguida por outras categorias similares. Associações da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros elaboraram uma lista de reivindicações para as classes. No entanto, o diálogo ainda é tido como principal arma de estratégia. De acordo com o presidente da Associação de Praças da PM, Vanderlei Ribeiro, as classes reivindicam a atualização da lei de remuneração da Polícia Militar e dos Bombeiros, uma jornada de trabalho de, no máximo, 44 horas e a revisão do regulamento.

“Primeiro vamos finalizar este documento na quinta-feira, com percentuais de reajuste, entregá-lo na outra semana ao presidente da Alerj, deputado Paulo Melo (PMDB)”, disse. “Agendaremos um encontro com o governador Luiz Fernando Pezão. Falar sobre paralisação ainda é especulação diante do diálogo”, disse.

Um clima de incertezas

Mesmo diante da promessa de que pelo menos 30% do efetivo da Polícia Civil trabalhem normalmente, o anúncio da paralisação desta quarta-feira provocou preocupação em parte da população do Rio. Pelas ruas, a insegurança motivou suspeitas de cancelamento de aulas e paralisação de outros setores, como o comércio e até clínicas médicas.

Em grupos nas redes sociais, pais debateram sobre a ida dos filhos a escolas particulares. Os rumores nas instituições levaram a um fluxo de alunos abaixo do normal. As secretarias de Educação do município e do estado garantiram que as aulas serão normais.

“Isso contribui para um clima de insegurança nas ruas, para uma expectativa quanto à realização da Copa. Mas, para mim, no final, o governante vai prometer e dificilmente vai cumprir”, analisou o especialista em Segurança Pública, Paulo Storani.

Você pode gostar