Por thiago.antunes

Rio - Depois de se reunir no início da semana, em São Paulo, com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o senador Lindbergh Farias, pré-candidato do PT ao governo do Rio, mudou o tom de sua campanha e adotou um discurso mais ameno em relação ao PMDB e ao governador e candidato à reeleição, Luiz Fernando Pezão.

A estratégia traçada por Lula e os coordenadores da campanha de Lindbergh tem por objetivo estancar o movimento “Aezão” — voto no tucano Aécio Neves para a Presidência e em Pezão para o governo estadual. A ordem é não atacar o PMDB, considerado essencial para a reeleição de Dilma Rousseff.

A interferência de Lula na campanha do petista surtiu efeito há dois dias, em evento na Zona Oeste. Lindbergh adotou discurso de avanço ao que foi construído na gestão do ex-governador Sérgio Cabral, candidato ao Senado, e de Pezão. O petista lembrou que o mais importante neste momento é garantir a reeleição de Dilma com o apoio do PMDB. “A gente quer o PMDB com a Dilma. E o Garotinho também (risos). Eles têm que vir mesmo porque, se o nosso governo sair derrotado, será uma derrota para a esquerda mundial”, disse.

Na Zona Oeste%2C o senador Lindbergh Farias falou para uma plateia de petistas e de alunos da Universidade Moacyr Bastos. O tom do discurso mudou para não prejudicar DilmaDivulgação

Lindbergh rebateu as críticas da oposição, que acusa o PT de ter adotado o “discurso do medo” contra a candidatura de Aécio Neves. “Não tem discurso de medo nenhum. A gente não tem medo do futuro, como eles tinham. Temos medo é do passado. Da volta ao passado. Disso nós temos medo. É diferente do que eles faziam, quando não acreditavam que um nordestino com o perfil do Lula pudesse fazer o que fez: governar para o povo”, afirmou Lindbergh.

Em discurso à plateia formada por petistas de Campo Grande e Santa Cruz, mas também por alunos da Universidade Moacyr Bastos, Lindbergh disse que a oposição pretende frear os projetos sociais do governo do PT. “Quando a gente ouve a tucanada, só falta eles dizerem que tem de aumentar o desemprego e reduzir salário para o país crescer. Eles querem desemprego maior porque assim os salários ficam menores, e as empresas lucram mais. É inacreditável.”

Petista quer mais investimentos nas áreas mais pobres do estado

Lindbergh Farias garantiu que a mudança de discurso em relação à sucessão estadual não foi fruto da conversa com o ex-presidente Lula, mas de encontros que tem feito semanalmente com representantes da sociedade civil dos mais diversos segmentos.

“Houve conquistas no atual governo, mas precisamos ir além delas. A UPP, por exemplo, é uma conquista. Mas não pode haver só UPP. Tem que ter a UPP social, mas isso eles não fazem porque não sabem falar com o povo. Quem faz isso é o PT. É a nossa marca”, disse o senador.

A vitória nas eleições, no entanto, não será a qualquer custo, segundo o candidato petista. E a prioridades do governo devem ser invertidas. Para ele, a atual gestão priorizou as áreas nobres da cidade do Rio e esqueceu do subúrbio e do interior do estado. 

“Eles governaram para a Barra da Tijuca. O metrô para lá vai custar R$ 8,5 bilhões. E com a metade disso a gente consegue transformar toda a SuperVia em metrô de superfície. Levar transporte com conforto, segurança e rapidez para o subúrbio e a Baixada Fluminense”, completou.

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