Por thiago.antunes

Rio - A paralisação dos policiais civis terminou ontem à noite, mas a mobilização da categoria está mantida até 12 de junho. A data, que também marca o início da Copa do Mundo, também é o prazo final para que o governador Luiz Fernando Pezão entregue para votação na Alerj o projeto de lei que incorpora a gratificação do Programa Delegacia Legal (R$ 850) aos salários dos servidores.

Ontem, após reunião de quatro horas com a direção do sindicato da categoria (Sindpol) e comissão de policiais, Pezão firmou compromisso de enviar a reivindicação para votação. Os policiais cruzaram os braços por 48 horas até serem recebidos para negociar com o governador.

Cerca de 400 policiais civis estiveram nesta quinta-feira na Cidade da PolíciaVania Cunha / Agência O Dia

Em reunião com cerca de 500 agentes na Cidade da Polícia, no Jacarezinho, o presidente do sindicato, Francisco Chao, disse que uma nova concentração está marcada para o dia 13, no local. “Peço a vocês paciência e um voto de confiança. Se não no governo, mas em mim. Estou com vocês e não vou voltar atrás. Quem esperou 12 anos, espera mais 20 dias. Não somos nem nunca seremos oportunistas nem radicais”, declarou Chao, que não descarta uma greve, caso o projeto não seja entregue no prazo estipulado pelo governador. Tudo será decidido na reunião do dia 13.

Ele afirmou que, durante a conversa com Pezão, recebeu apoio do chefe de Polícia Civil, Fernando Veloso, e do secretário de Segurança Pública, José Mariano Beltrame. E que tem esperança de que a demanda da categoria se concretize.

Francisco Chao%2C presidente do Sindicato dos Policiais Civis do Rio (Sindpol)%2C deixou a reunião sem falar com a imprensaAlessandro Costa / Agência O Dia

A conversa entre o Executivo estadual e os servidores aconteceu no Palácio Guanabara, em Laranjeiras. De acordo com Chao, a negociação foi demorada e intensa, com várias tentativas do governo de rediscutir as propostas. “Não abro mão do que reivindicamos. Vi o governo reconhecendo, aos 45 minutos do segundo tempo, que não somos um ‘sindicatozinho’. Demos uma demonstração de força gigantesca”, afirmou o presidente do Sindpol, sendo ovacionado pelos agentes na Cidade da Polícia.

Pezão deixou claro que ainda não sabe quanto essa incorporação a policiais civis ativos, inativos e pensionistas, se aprovada na Alerj, vai custar aos cofres públicos. Mas, em nota, afirmou que, desde 2007, concedeu 123,5% de aumento para policiais civis, militares, bombeiros e agentes penitenciários.

Governador Luiz Fernando Pezão garantiu após a reunião no Palácio Guanabara que não há clima para greve dos policiais civis do estadoAlessandro Costa / Agência O Dia

“Queremos incorporar a gratificação, mas precisamos estudar o prazo e as parcelas. Mas antes de encaminhar a Alerj, é preciso estudar os prazos e orçamento. Afinal, estamos no último ano de governo. Queremos atender ainda outras categorias, dentro do limite da Lei de Responsabilidade Fiscal”, disse o governador que, no entanto, minimizou os efeitos da paralisação dos policiais e disse não haver clima para greve. Segundo ele, nos últimos sete anos, a categoria teve aumento de 147%. A categoria prepara outros tipos de ações, como a doação de sangue coletiva para o Hemorio, no dia 28.

Juízes têm crédito de R$ 52 milhões

Enquanto o governo estadual analisa com cautela as reivindicações  — pedindo até uma doação de R$ 70 milhões à Assembleia Legislativa para a construção de UPPs —, ontem foi liberado um crédito especial de R$ 52,5 milhões para a aposentadoria complementar de juízes do Tribunal de Justiça do Rio.

O montante é apenas parte dos R$ 187 milhões que o estado ainda terá que desembolsar para cobrir o projeto de Lei 6.768. Proposta em abril, a iniciativa tramitou com urgência e foi aprovada em menos de dois meses na Alerj. A lei permite que cerca de 300 magistrados que contribuíram para o fundo de reserva da aposentadoria, antes da criação do Rio Previdência, em 1999, resgatem os depósitos antigos corrigidos pela inflação. Procurado, o governo disse que apenas autorizou o uso da verba que já estava em caixa.

Rodoviários podem parar

O líder do grupo dissidente do Sindicato dos Rodoviários (Sintraturb), Hélio Teodoro, confirmou que na assembleia de terça-feira, 27, a categoria vai considerar a possibilidade de realizar greve por tempo indeterminado. “Tudo vai depender da decisão dos motoristas e trocadores”, diz ele. Teodoro acredita, no entanto, que o impasse vai ser resolvido na base da negociação com os empresários.

Os rodoviários dissidentes reivindicam aumento de salário para os motoristas de R$ 1.800 para R$ 2.500 e reajuste para os cobradores de R$ 1.080 para R$ 1.400. Querem também o fim da dupla função. Teodoro diz que não será levada à assembleia a proposta de liberação das roletas para os passageiros viajarem de graça. “Isso não existe, nem pensamos em votar essa ideia”, arremata.

Colaboraram Constança Resense e Juliana Dal Piva

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