Por thiago.antunes

Rio - Rafael Guedes Soares, 27 anos, suspeito de matar a tiros o taxista Rafael José Rodrigues, 31 anos, em frente ao Barra Music após uma briga, na madrugada do último sábado, foi preso em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, na noite desta sexta-feira. Soares é soldado da Polícia Militar e lotado no 22º BPM (Maré).

Ele foi identificado por agentes da Divisão de Homicídios (DH) graças a imagens de circuito interno perto da casa de shows, que mostraram a placa de seu carro e possibilitaram o rastreio. Em depoimento, o PM confessou o crime.

Rafael foi identificado por imagens da placa de seu carroReprodução Internet

Antes da prisão de Rafael, outro policial foi ouvido na DH e negou envolvimento com o crime. De acordo com testemunhas, a briga aconteceu por desavença quanto ao preço que o taxista cobraria para passar por uma blitz da Lei Seca com o carro do policial.

“O Rafael teria que dirigir o carro dele e depois voltar a pé. Ele cobrou R$ 100 e falou que, se ele não quisesse pagar, poderia consultar outra pessoa”, disse uma das testemunhas, que prefere o anonimato. A revelação causou indignação na família do taxista, que tem irmã, cunhado e cunhada na corporação. “Não consigo aceitar que um colega de farda tirou a vida do meu irmão. Como PM, aprendi a cuidar dos outros, a ser cordial, a fazer com que a população se aproxime da gente”, desabafou a irmã da vítima, Rafaele Rodrigues, 29 anos, há dois na corporação. “Não admito que esse homem use a farda que amo e respeito.”

Mãe de Rafael e Aline Magalhães%2C esposa%2C se despedem do taxista morto em frente ao Barra Music durante o enterro no cemitério da PechinchaCarlos Wrede / Agência O Dia

Segundo a irmã, o taxista assassinado ficou orgulhoso quando ela entrou para a corporação. “Não quero que meus sobrinhos cresçam com a imagem de que um policial matou o pai deles. Minha sobrinha acha que todos os policiais são como nós e não quero que ela perca isso”, contou Rafaele, cujo marido é PM há 15 anos.

Entenda o caso

De acordo com o delegado titular da Divisão de Homicídios, Rivaldo Barbosa, o autor dos disparos, ao saber da existência de uma blitz da Lei Seca na via, dirigiu-se a Rafael, oferecendo-lhe dinheiro para que passasse com o seu carro pela barreira. O taxista teria cobrado um valor que o motorista do Honda Civic não aceitou, o que deu início a discussão.

Em seguida, o motorista do Honda pegou uma arma e deu duas coronhadas na cabeça da vítima,  além de disparar contra a barriga de Rafael. Segundo testemunhas, o autor dos disparos ainda atirou na cabeça do taxista, que já estava caido no chão, e fugiu.

O carro utilizado pelo agressor já foi identificado. O delegado responsável pelo caso informou que vai solicitar as imagens das câmeras do Barra Music, na Avenida Ayrton Senna, para tentar identificar o motorista.

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