Por tabata.uchoa

Rio - O bancário aposentado Carlos Eduardo Alvim, 50 anos, realizou no ano passado a sua maior aventura depois que ficou cego. Viajou sozinho de avião para Florianópolis. Para ele, a viagem só foi possível porque contou com a ajuda de Brida, uma cadela da raça Golden Retriever, que há três anos, passou a ser sua mais fiel escudeira. Ou melhor, um anjo de quatro patas, que, lamentavelmente, ainda é raridade no Brasil. Estima-se que, assim como Brida, o número de cães-guia no país não passe de cem animais, para uma população de 506 mil pessoas com deficiência visual.

Com a companhia da Golden Retriever Brida%2C o bancário aposentado Carlos Eduardo Alvim reconquistou a liberdade de passear por Niterói e até mesmo de viajar de aviãoCacau Fernandes / Agência O Dia

Para tentar ampliar o atendimento, foi inaugurado em Santa Catarina o 1º Centro de Treinamento e Instrução de Cães-Guia do país. A meta é fornecer cães sem custo e formar instrutores para ampliar o serviço em outros estados como o Rio.

A cadela Brida foi preparada pelo instrutor George Harrison, do projeto Cão Guia Brasil, que conta com doações para sobreviver. “Infelizmente somos poucos por falta de investimento”, critica. Segundo ele, são necessários dois anos para formar um cão-guia, normalmente selecionados entre Labradores, Golden Retrievers e Pastores Alemães.

“A Brida me protege o tempo todo. Ela já parou em frente a um bueiro que estava aberto e desviou”, conta Eduardo, que se ressente apenas da falta de educação das pessoas. “Fomos impedidos de entrar em um restaurante de Búzios que atende em quatro idiomas”, conta. Barrada várias vezes junto com a cadela Pucca, a deficiente visual Camila Alves batizou uma nova lei que obriga os estabelecimentos a fixar cartaz liberando o acesso do cão-guia.

Com Pucca%2C sua fiel companheira há 4 anos%2C Camila Alves deu nome a lei após ser barrada em restaurantesDivulgação

Regras para a convivência nas ruas

Um cão treinado para ser guia não está a passeio. Ele é responsável pela segurança do deficiente visual. Portanto, ele não deve ser distraído por estranhos. Para não perturbar o trabalho do animal, há algumas regras básicas.

Jamais toque em um cão-guia que estiver utilizando sua coleira especial e nem no seu acompanhante sem avisar. Ele poderá se distrair e interromper sua função. A melhor coisa a fazer é ignorá-lo.

Nunca ofereça alimentos a um cão-guia. Só seu acompanhante deve alimentá-lo.

Se estiver junto com algum animal, controle-o para que ele não avance sobre o cão.

Se a pessoa lhe pedir ajuda, aproxime-se pelo lado direito, deixando o lado esquerdo para o auxiliar de quatro patas.

Algumas instituições que treinam os animais: Cão Guia Brasil (www.caoguiabrasil.org); Cão Guia de Cego (www.caesguia.com.br); e IRIS-Instituto de Responsabilidade e Inclusão Social (http://www.iris.org.br/).

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