Laudo da reconstituição do caso DG deve estar pronto em 15 dias

Cerca de 80 policiais participam da reprodução simulada, que deve avançar até a meia-noite

Por O Dia

Dançarino foi encontrado dentro de uma creche no Pavão-Pavãozinho%2C dizem moradoresReprodução Internet

Rio - Deve ir até o final desta segunda-feira o trabalho de agentes da Polícia Civil na reprodução simulada do caso DG.  A reconstituição busca esclarecer de onde partiu o tiro que matou o dançarino do programa 'Esquenta', Douglas Rafael da Silva. São cerca de 80 policiais civis na comunidade Pavão-Pavãozinho, em Copacabana, Zona Sul do Rio para o trabalho técnico. Nove policiais militares da UPP estão no local: os três PMs que encontraram o corpo do dançarino e seis policiais da UPP que entraram em confronto com traficantes no dia 22 de abril.

De acordo com o delegado titular da 13ª DP (Ipanema), Gilberto Ribeiro, a dinâmica da reconstituição foi invertida em razão da presença da imprensa.  Na primeira parte, que começou às 15h15 e durou até ás 20h45, os policiais civis reconstituíram o momento do confronto entre os PMs e traficantes da favela.  Na segunda parte, que começou minutos depois, os agentes reconstroem o momento em que o corpo do dançarino foi encontrado, nos fundos de uma creche, em frente a uma quadra de futsal.

"Foi importante começar a reprodução simulada durante o dia para que a gente pudesse ver determinadas situações. Verificar se os policiais militares estavam nos lugares onde disseram que estavam", disse Ribeiro. "A gente reproduziu a narrativa dos policiais com base nos depoimentos. A partir disso foi feito todo o passo a passo do que aconteceu dentro e fora do prédio. Acreditamos que em 15 dias o laudo da reprodução simulada possa ser concluído", completou o titular da 13ªDP.

Cinco peritos participam dos trabalhos. Durante a reconstituição, chamou a atenção dos agentes o fato de que as ruas na área onde o confronto aconteceu estão mais iluminadas e que agora existem telhas em locais onde antes não havia. Em determinado momento, foi possível ver um policial saltando do prédio em direção ao muro onde o dançarino teria caído, mas a equipe da Civil não antecipou se foi uma reprodução da queda do rapaz.  A Corregedoria da Polícia Militar também acompanhou a reprodução simulada.

PMs chegaram à paisana

A reprodução da morte de DG, começou por volta das 15h15 desta segunda-feira. Os aproximadamente 80 agentes da Polícia Civil chegaram em mais de dez viaturas da Core, da 13ª DP (Ipanema) e Divisão de Homicídios (DH).  O delegado titular da DH, Rivaldo Barbosa, participou dos trabalhos. Um carro do Corpo de Bombeiros prestava apoio à reconstituição. Os nove PMs que participam da reprodução simulada chegaram ao local à paisana, sem nenhuma identificação.

Três policiais militares que encontraram o corpo de DG (de boné à esquerda) participaram da reconstituição. Ao fundo, imagem de DG pintada na parede em frente ao local onde o corpo foi encontrado com o pedido de justiçaHerculano Barreto Filho / Agência O Dia

A reprodução simulada havia sido adiada duas vezes na semana passada, por conta da paralisação de 48h feita pelos policiais civis. 

A morte de DG provocou revolta em moradores da favela. Eles atearam fogos em pneus, entulhos e carros, interditando o acesso às vias próximas. O Túnel Sá Freire Alvim chegou a ser fechado em razão do protesto. A morte do dançarino repercutiu na imprensa internacional em sites dos jornais The New York Times, The Guardian e na rede de televisão norte-americana CNN.

A perícia inicial chegou a apontar que o dançarino teria morrido em razão da queda do muro nos fundos da creche, mas o segundo laudo técnico acabou confirmando que DG foi vítima de um tiro que atravessou o corpo na altura da lombar até o ombro. 

O tiroteio entre policiais e traficantes que vitimou o dançarino pode não ter começado de forma casual. O secretário de Segurança Pública José Mariano Beltrame disse que os PMs foram atacados a tiros na localidade Vietnã por bando que tinha o aval do chefe do tráfico Adauto do Nascimento Gonçalves, o Pitbull. Ainda segundo o secretário, os policiais foram checar denúncia sobre a presença do criminoso, quando foram recebidos a tiros.




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