Nova paralisação de rodoviários será discutida nesta terça-feira

Movimento dissidente do sindicato dos motoristas e cobradores terá audiência no Ministério Público do Trabalho e fará assembleia

Por O Dia

Rio - A possibilidade de nova greve dos rodoviários será debatida nesta terça-feira pelos dissidentes do sindicato que representa os profissionais da categoria (Sintraturb). Eles participam de audiência às 14h no Ministério Público do Trabalho (MPT), no Centro, para pedir a investigação de supostas irregularidades no acordo entre o Sintraturb e a Rio Ônibus (associação das empresas).

O grupo de dissidentes não aceita o contrato firmado em abril, que deu aumento de 10% aos motoristas e cobradores, e se reunirá em assembleia, às 16h, na Candelária, para definir as próximas ações. Não está descartada a hipótese de greve por tempo indeterminado. Agora, os dissidentes informaram aceitar rever as reivindicações.

“Nós podemos negociar um reajuste (salarial) abaixo de 40% e os valores da cesta básica. Mas não abrimos mão do fim da dupla função cobrador-motorista. Se ninguém quiser sentar e conversar com a gente, o jeito é fazer greve. Não sabemos se será por 24 horas ou por tempo indeterminado”, disse Luiz Cláudio da Rocha, um dos líderes do movimento.

Na semana passada, os dissidentes fizeram passeata no CentroAndré Luiz Mello / Agência O Dia

Em nota, a Rio Ônibus informou que não negociará por considerar o movimento grevista ilegítimo. A entidade declarou também que “considera uma afronta à Justiça a possibilidade de uma nova paralisação organizada por um grupo dissidente de rodoviários, que, desrespeitando decisões judiciais e recorrendo à violência, está interrompendo um serviço essencial à população, causando grandes prejuízos à cidade do Rio de Janeiro.” A Rio Ônibus disse reconhecer o Sintraturb como único representante legítimo da categoria.

No MPT, os dissidentes vão alegar que o acordo firmado entre o sindicato e Rio Ônibus — que estipulou o reajuste salarial e 40% de aumento na cesta básica — foi feito à revelia dos profissionais da categoria. No início do mês, greve convocada pelos dissidentes afetou milhões de passageiros, que chegaram a ter à disposição menos de 30% da frota — o que é proibido por lei. Durante os três dias de paralisações, mais de 700 ônibus foram depredados.

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