Por thiago.antunes

Rio - Nesta quarta-feira, biólogos do Zoológico do Rio e uma equipe da Patrulha Ambiental da prefeitura vão começar para valer a captura do jacaré-do-papo-amarelo que foi visto em um lago da Quinta da Boa Vista — e que causou até a interrupção do serviço dos pedalinhos. Na tarde desta terça, observado por cerca de 50 curiosos, o grupo fez uma “observação visual” do local para traçar estratégias para o resgate do animal, que tem sido avistado há duas semanas.

Segundo o sub-secretário municipal de Meio-Ambiente, Altamirando Moraes, o réptil é jovem e mede aproximadamente 1,20 metro. “Tentaremos pegá-lo, nem que seja através de armadilhas”, ressaltou, adiantando que o destino do réptil será o Parque Chico Mendes, no Recreio. Para o biólogo Ricardo Freitas Filho, um dos maiores entendidos em comportamento animal do Brasil, é mais fácil o bicho ser machucado pelas pessoas. Mas, por se tratar de um animal selvagem, é preciso cuidado. “A espécie só é agressiva quando atacada, não enxerga o ser humano como alimento”.

Agentes da Patrulha Ambiental da prefeitura examinam o lago da Quinta da Boa Vista para tentar descobrir um jeito de capturar o jacaréFernando Souza / Agência O Dia

Segundo Ricardo, o jacaré procurado provavelmente é oriundo de rios da região, como o Maracanã e o Joana, e acabou indo parar no lago através de galerias pluviais ou pela rede de esgotos: “Esse tipo de jacaré se adaptou à pesada poluição dos mananciais. Remanescente dos dinossauros, passou por grandes catástrofes globais. Devemos dividir o planeta com ele, harmoniosamente”.

No entorno do lago, turistas e cariocas acompanharam a movimentação dos técnicos. “Vim tentar ver o animal”, disse o comerciante Jorge Filho, 30. “É apavorante, tem muitas crianças que brincam por aqui, como meu filho’, comentou o motorista Alessandro Moraes, 36. Enquanto aguardavam a aparição do jacaré, o que acabou não acontecendo, o bicho acabou ganhando até apelido: Robinho. “Ele é verde e amarelo e não foi para a Copa. Então é Robinho. Se aparecer por aqui, eu driblo ele”, brincou o estudante Carlos Henrique, de 8 anos.

Programa leva animal às escolas

Para tentar tornar a convivência entre moradores e jacarés mais amena, o biólogo Ricardo Freitas Filho e um grupo de pesquisadores criaram em 2006 o Instituto Jacaré. Um grupo de voluntários de iniciação científica passou a realizar pesquisas e monitoramento dos répteis no Rio, principalmente na Zona Oeste. Estima-se que só no Complexo Lagunar de Jacarepaguá (de 280 km², composto pelas lagoas da Tijuca, Camorim, Jacarepaguá e Marapendi), existam pelo menos 4 mil jacarés-do-papo-amarelo.

Em contrapartida, a população no entorno desse paraíso crocodiliano foi a que mais cresceu no Rio nos últimos 15 anos, com mais de 400 mil habitantes e centenas de novos empreendimentos imobiliários. O instituto também criou o projeto ‘Jacaré Vai à Escola’. Segundo Ricardo, o objetivo é fazer com que as crianças percam o medo de animais silvestres e também aprendam com eles, principalmente em relação à interação com o meio ambiente.

“Nós visitamos colégios, levando exemplares reais dos répteis”, explica.
Embora não esteja na lista dos bichos mais ameaçados de extinção, a população de jacarés-do-papo-amarelo do Rio correrá sérios riscos no futuro, alerta o biólogo, por causa do crescimento desordenado no entorno de seu habitat.

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