‘Lula descumpriu o acordo de apoio à aliança PMDB/PT', diz Nelson Bornier

Prefeito de Nova Iguaçu afirmou que votará pela manutenção da coligação nacional com partido

Por O Dia

Rio - À frente do quarto amior colégio eleitoral do estado — 545.800 eleitores — e membro do Diretório Nacional do PMDB, o prefeito de Nova Iguaçu, Nelson Bornier, afirmou que votará pela manutenção da coligação nacional com o PT na convenção nacional do partido, em 10 de junho, em Brasília.

Em visita ao DIA, Bornier garantiu que o movimento ‘Aezão’, de apoio ao tucano Aécio Neves, ocorre à revelia do governador Luiz Fernando Pezão e que foi o ex-presidente Lula — e não Dilma — quem descumpriu acordo de apoio à aliança PMDB/PT no Rio. Ele afirma ainda que receberá “de braços abertos” quem for eleito para governar o estado e queira trabalhar por Nova Iguaçu.

'Lula descumpriu o acordo'%2C diz BornierPaulo Araújo / Agência O Dia

O DIA: Há o movimento de lideranças do PMDB no Rio que apoia outros presidenciáveis, como o Aécio Neves (PSDB), dando força ao movimento 'Aezão'. O senhor concorda com essa movimentação? Acha que vai prosperar?

Nelson Bornier: Temos a posição do PMDB regional e a do governador Pezão e do ex-governador Sérgio Cabral. Acho que o que o presidente regional Jorge Picciani está reclamando é de um acordo não cumprido. Não pela presidenta Dilma, mas pelo ex-presidente Lula. Ele quer mostrar para o Brasil que tanto Cabral como Pezão foram mais PT do que os próprios governadores do PT.

Que acordo não foi cumprido?

O acordo de que o Estado do Rio deveria continuar avançando nesta parceria construída lá atrás, desde 2003, na eleição e na reeleição de Lula e na eleição da Dilma, em 2010. Acho que isto deveria continuar: manter a aliança que se fez no início e, portanto, dar à candidatura do Pezão o apoio de Dilma e Lula e vice-versa. O diretório regional, vocalizado pelo Picciani, não aceita de forma alguma o não cumprimento desse acordo. Essa insatisfação, que é à revelia de Pezão e Cabral, é tão somente do diretório regional.

O senhor está alinhado com esse movimento?

Nós vamos ter uma reunião do diretório regional e a partir daí será tomada uma decisão conjunta.

Mas na convenção como o senhor votará?

Eu vou votar em acordo com o governador Pezão. O que ele e Cabral decidirem, eu apoio. Até porque eu tenho compromisso com ambos. Já na próxima semana, vamos nos reunir, todos os delegados, para acertar sobre como iremos votar. Acredito que todos devam sair unidos em favor da manutenção da vice-presidência de Michel Temer na coligação com Dilma.

'Eu vou receber de braços abertos quem quer que seja%2C desde que venha ajudar'%2C revela prefeitoPaulo Araújo / Agência O Dia

E quem vai ganhar na Baixada Fluminense?

Aí, eu vou ter que dizer que é Luiz Fernando Pezão (risos). Sou obrigado a dizer. Na minha cidade, no que depender de mim, vou transmitir a cada um dos moradores o quanto Pezão está ajudando e o quanto Cabral ajudou. Direi que eu preciso reeleger o Pezão para que Nova Iguaçu continue a avançar.

Mas Garotinho, que é pré-candidato, já foi governador. Ele não fez nada por Nova Iguaçu?

Fez. Garotinho também investiu. Mas os investimentos que recebemos nestes um ano e três meses de meu governo são muito maiores do que em qualquer governo anterior.

O governo federal também tem investido na região. Partindo dessa lógica, o senhor vai apoiar a manutenção com Dilma?

Três municípios no estado foram contemplados com o projeto de mobilidade do governo Dilma: Nova Iguaçu, São Gonçalo e Duque de Caxias. Em Nova Iguaçu, vamos fazer um eixão, que ligará a Via Light a Cabuçu. Somos a única das três cidades que já temos projeto aprovado pela Secretaria de Mobilidade, pelo Ministério das Cidades e, agora, está com a ministra do Planejamento, Miriam Belchior. Espero ser chamado logo para assinar o convênio. Se isso acontecer não tenho a menor dúvida de que vou completar a minha assinatura lá na convenção nacional em favor da presidenta Dilma Rousseff, com a vice de Michel Temer.

Causa desconforto ser o candidato do PT ao governo do Rio seu adversário político, o Lindbergh Farias?

Não. Eu tive problemas em 2000 com o Garotinho. Ele foi para lá, trabalhou contra mim para apoiar a Sheila Gama, do PDT. Naquela época, quase saímos no tapa. Depois, ele me procurou, dizendo que iria ajudar a nossa cidade, e passamos a ter uma relação normal. Por isso, eu garanto que quem quiser ajudar a minha cidade será recebido de braços abertos.

E o senhor receberá o Lindbergh de braços abertos caso ele vença a eleição para governador?

Eu vou receber de braços abertos quem quer que seja, desde que venha ajudar. Mas eu acredito que o governador vai ser o Luiz Fernando Pezão.

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