Rodoviários fazem assembleia e greve pode ser anunciada no Rio e Niterói

Baixada também pode parar. Categoria decide rumos

Por O Dia

Rio - Cerca de 250 rodoviários se reuniram, na tarde desta terça-feira, em assembleia no Centro da cidade para decidir sobre a possibilidade de uma nova greve da categoria. Os dissidentes podem anunciar a paralisação no Rio, Niterói, Nova Iguaçu e Duque de Caxias. Com faixas, adevisos e carros de som, a categoria protesta pacificamente na Cinelândia.

Cerca de 30 PMs do Batalhão de Policiamento em Grandes Eventos (BPGE) acompanham o protesto. O principal líder dos rodoviários, Hélio Teodoro, declarou que esperava ações mais conclusivas por parte do Ministério Público do Trabalho, cujos representantes se reuniram com as lideranças no começo desta tarde.

"Achava que teríamos algo mais conclusivo, mas fomos escutados e não houve alguma decisão efetiva", lamentou Teodoro. 

Procurador pediu fotos de assembleia

O Procurador do Trabalho, João Carlos Teixeira solicitou, na tarde desta segunda-feira, em reunião com rodoviários dissidentes, fotos de suposta assembleia feita em março que, segundo os dissidentes, contou com mais representantes da diretoria do Sintraturb do que de motoristas e cobradores da ativa. Em depoimento no Ministério do Trabalho, o líder do movimento grevista, Hélio Teodoro, afirmou que fotos divulgadas pelo vice-presidente do Sintraturb, Sebastião José — em que aparecem cerca de 500 pessoas —, são de assembleia realizada em 2013.

Rodoviários fizeram passeata no CentroAndré Luiz Mello / Agência O Dia

O grupo de dissidentes não aceita o contrato firmado em abril, que deu aumento de 10% aos motoristas e cobradores, e se reunirá em assembleia, às 16h, na Candelária, para definir as próximas ações. Não está descartada a hipótese de greve por tempo indeterminado. Agora, os dissidentes informaram aceitar rever as reivindicações.

“Nós podemos negociar um reajuste (salarial) abaixo de 40% e os valores da cesta básica. Mas não abrimos mão do fim da dupla função cobrador-motorista. Se ninguém quiser sentar e conversar com a gente, o jeito é fazer greve. Não sabemos se será por 24 horas ou por tempo indeterminado”, disse Luiz Cláudio da Rocha, um dos líderes do movimento.

Em nota, a Rio Ônibus informou que não negociará por considerar o movimento grevista ilegítimo. A entidade declarou também que “considera uma afronta à Justiça a possibilidade de uma nova paralisação organizada por um grupo dissidente de rodoviários, que, desrespeitando decisões judiciais e recorrendo à violência, está interrompendo um serviço essencial à população, causando grandes prejuízos à cidade do Rio de Janeiro.” A Rio Ônibus disse reconhecer o Sintraturb como único representante legítimo da categoria.

Greve dos rodoviários deixou população a pé e ruas congestionadas por carros de passeioFoto%3A Paulo Campos / Agência O Dia

No MPT, os dissidentes vão alegar que o acordo firmado entre o sindicato e Rio Ônibus — que estipulou o reajuste salarial e 40% de aumento na cesta básica — foi feito à revelia dos profissionais da categoria. No início do mês, greve convocada pelos dissidentes afetou milhões de passageiros, que chegaram a ter à disposição menos de 30% da frota — o que é proibido por lei. Durante os três dias de paralisações, mais de 700 ônibus foram depredados.

Dissedente diz não conseguir se filiar

O líder do movimento grevista, Hélio Teodoro afirmou que não conseguiu se filiar ao Sintraturb porque as fichas de inscrição que preenche "simplesmente desaparecem". Advogados do grupo dissidente e da Rio Ônibus (associação das empresas) participam da audiência, mas ainda não se manifestaram. Já foram ouvidos os líderes do grupo dissidente Luiz Claudio da Rocha Silva, Hélio Teodoro e, no momento, Maura Gonçalves.

Últimas de Rio De Janeiro