Por thiago.antunes

Rio - Os líderes dos rodoviários dissidentes acusaram, na tarde desta quarta-feira, empresas de ônibus de pagarem motoristas e cobradores para que os veículos circulassem durante a greve. Segundo eles, foram pagas quantias de R$ 200 para motoristas, R$ 100 para cobradores e R$ 50 para quem faz dupla-função. Além disso, motoristas que não dirigirem coletivos ou ainda não foram treinados, mas possuem habilitação D, teriam sido convocados pelas companhias para reforço.

Os grevistas estimaram que 60% da categoria aderiu à paralisação. Já o Rio Ônibus, afirma que 20% dos rodoviários pararam. O motorista Jonatas da Silva Alves, 30 anos, trabalha como rodoviário há três anos e denunciou que pessoas armadas entraram dentro dos ônibus pra persuadir a categoria ao trabalho.

>>> GALERIA: Paralisação dos rodoviários tem pouca adesão da categoria

O movimento pediu ainda uma reunião com o prefeito Eduardo Paes, para que ele convença as empresas de ônibus a um encontro com os dissidentes. Uma nova assembleia está marcada para esta sexta-feira, às 16h, na Central do Brasil. Além disso, um abaixo assinado que pede o fim da dupla-função será enviado ao prefeito e, segundo os grevistas, já conta com três mil assinaturas. Durante a reunião, eles vão convocar a população a contrubuir com mais assinaturas. A paralisação da categoria segue até a meia-noite de hoje.

Sindicato quer que paralisação seja considerada abusiva

O sindicato das empresas pretende entrar com um pedido no Tribunal Regional do Trabalho para que o movimento grevista, convocado por um grupo dissidente, seja considerado abusivo. De acordo com o Rio Ônibus, não foram respeitados os princípios e requisitos da lei de greve, como o aviso de paralisação com 72 horas de antecedência.

Pedro Junqueira, chefe-executivo do Centro de Operações da Prefeitura, destaca que a circulação dos ônibus na manhã desta quarta esteve próxima do habitual. "Pelo mapa que temos aqui no Centro de Operações e com o GPS dos ônibus, nós percebemos o território do município inteiro coberto com ônibus. Está tudo funcionando muito próximo da normalidade", disse ao Bom Dia Rio.

Passageiros formam enorme fila para pegar ônibus%3B paralisação teve pouca adesãoOsvaldo Praddo / Agência O Dia

No fim da madrugada, a circulação de ônibus já era intensa nas avenidas Presidente Vargas, no Centro, e Brasil, do que nas paralisações decretadas nos dias 8 e 13 e 14 deste mês. Nas garagens de ônibus como da Real Auto Ônibus, em Manguinhos, e Vila Isabel, na Zona Norte, os coletivos deixavam as garagens sem problemas. Em algumas, grevistas marcaram presença discretamente, mas sem registro de tumultos, como nas duas paralisações anteriores.

Alguns passageiros, porém, sentiram o reflexo pela não circulação de parte da frota. O porteiro Sérgio Pereira, de 42 anos, morador da Vila do João, no Complexo da Maré, aguardava por um ônibus da linha 315 para chegar ao trabalho, no Recreio dos Bandeirantes, na Zona Oeste. Até às 6h ele não tinha conseguido embarcar no ônibus que costuma pegar diariamente às 5h.

Os rodoviários fizeram passeata pela Presidente Vargas%2C da Candelária à Central do BrasilJosé Pedro Monteiro / Agência O Dia

"Sabia da possibilidade de paralisação, mas não tinha a confirmação. Desta vez os ônibus estão passando mais do que nas outras vezes. Acho que dá para chegar, mas já estou preocupado com a volta", afirmou o porteiro. Mesmo enfrentando um aglomerado de passageiros, o motorista Jessé Morais, 32, desistiu da espera pelo ônibus da linha 315 e embarcou em um coletivo da linha 361 para tentar chegar à Barra da Tijuca, onde trabalha.

A baixa adesão dos rodoviários ao chamado para a paralisação pode ser sentida nos dois terminais de ônibus das linhas 460, 461, 462 e 463, da Real Auto Ônibus, em São Cristóvão, na Zona Norte. Às 7h30 não havia as diversas e enormes filas que se formaram nas duas últimas paralisações.

Você pode gostar