Por bferreira

Rio - O vice-presidente da Sintraturb, Sebastião José da Sila, diz que se os desembargadores do TRT-RJ julgarem ilegal e abusivo o movimento grevista, vai solicitar que sejam responsabilizados os partidos políticos e os movimentos sindicais de outras categorias que estão financiando as ações dos dissidentes.

Passageiros formam enorme fila para pegar ônibus durante a paralisaçãoOsvaldo Praddo / Agência O Dia

“Vamos argumentar no julgamento do dissídio no TRT-RJ que se o Sintraturb for punido pela greve, que já foi considerada ilegal pelo Ministério Público do Trabalho, as multas sejam encaminhadas aos movimentos sindicais que deram infraestrutura ao pequeno grupo que se manifestou contrário a nosso acordo. Sindicatos ligados a partidos políticos que deram carro de som e cederam até seus espaços para entrevistas à imprensa”, denuncia Sebastião Silva, sem citar nomes.

Em nota, o Rio Ônibus informou que a expectativa é que seja decretada a ilegalidade da greve. “Os manifestantes vêm desrespeitando a lei de greve, convocando paralisações mesmo não tendo a representatividade legal da categoria. Não bastasse, recorreram à violência com o ataque a 720 ônibus em quatro paralisações.”

O movimento foi marcado por diversas paralisações durante o mês de maio: uma de 24 horas no dia 8, seguida de outra paralisação, de 48 horas, iniciada em 13. No dia 28, nova greve de 24 horas interrompeu parte dos serviços no Rio.

Os dissidentes querem 40% de reajuste, R$ 400 de cesta básica e o fim da dupla função do motorista (que atua com cobrador em alguns ônibus). Já os patrões oferecem 10% de aumento e R$ 140 de cesta básica.

TRT vai julgar a greve de rodoviário na segunda-feira

A greve dos rodoviários pode ter fim na segunda-feira se houver uma decisão no julgamento do dissídio coletivo, marcado para às 14h30, na Seção Especializada em Dissídios Coletivos do TRT do Rio, no Centro. Ontem, o grupo dissidente, que já promoveu quatro paralisações, adiantou que o movimento grevista está suspenso temporariamente mesmo que a categoria seja ‘derrotada’ na Justiça. Os líderes dizem que o foco agora é destituir a direção do sindicato da categoria.

Hoje, às 16h, na Central do Brasil, haverá uma nova assembleia, para colher assinaturas dos rodoviários pedindo a saída da atual diretoria do Sindicato dos Motoristas e Cobradores de Ônibus do Rio de Janeiro (Sintraturb-Rio), segundo Hélio Teodoro, líder dos dissidentes. Ele garantiu que não está programada nenhuma manifestação para hoje.

“Nosso objetivo agora é retirar os dirigentes sindicais que não estão defendendo os interesses da categoria. A meta é fazer um abaixo-assinado com pelo menos três mil assinaturas”, planeja.
“Independentemente do resultado do julgamento de segunda-feira a greve está suspensa”, acrescenta o líder dos dissidentes que reivindicam 40% de aumento contra os 10% que o Sintraturb já havia negociado e acordado com o Rio Ônibus.

Sebastião José da Silva, vice-presidente, da Sintraturb, diz que esta decisão reforça sua opinião de que os oposicionistas perderam força e não agiram sozinhos.

“Eles só conseguiram paralisar a cidade com apoio de outros movimentos sindicais e de milicianos ligados ao transporte alternativo que tiveram altos lucros com a falta de ônibus nas ruas”, acusa.

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