Protesto de moradores do Chapéu Mangueira fecha via em Copacabana

Cerca de 50 pessoas participaram de manifestação na Avenida Princesa Isabel. Um suspeito foi baleado pela manhã na comunidade e encaminhado para o Hospital Miguel Couto

Por O Dia

Rio - Um homem foi baleado na manhã deste sábado no Chapéu Mangueira, no Leme, Zona Sul. Moradores iniciaram um protesto na comunidade, e estenderam por ruas de Copacabana, que chegaram a ser fechadas por alguns minutos. De acordo com informações da 12ªDP (Copacabana), o suspeito tem envolvimento por tráfico drogas e foi preso com munições, dois carregadores, uma pistola 9 mm, uma granada, um rádio transmissor e drogas escondidas na roupa. A família diz que ele não é traficante e nega as acusações.

De acordo com policiais da UPP local, os agentes que faziam patrulhamento pela comunidade se defrontaram com Phelipe em uma área próximo da mata, conhecida como Caixa D'água, por volta de 8h. Na versão dos PMs, o suspeito teria tentado sacar a arma, mas foi baleado antes. Ele foi levado para o Hospital Miguel Couto, no Leblon, onde passou por uma cirurgia para retirada da projétil. Segundo a família, um tiro atravessou o ombro e outro atingiu de raspão.

Phelipe foi autuado por resistência, porte de arma, tráfico de drogas e tentativa de homicídio. De acordo com a delegada Taiane Moraes, que registrou o caso, ele tinha passagem por associação ao tráfico, porte de arma e uso de drogas."Não houve confronto, ele tentou iniciar os disparos, mas foi baleado. Ele é envolvido com o tráfico sim", afirmou. "Fomos ao local, uma perícia foi feita, os policiais militares foram ouvidos", completou. As armas foram catalogadas para o confronto balístico.

Família acusa PM

A família de Phelipe nega as informações da polícia, diz que ele não é traficante, trabalha como ajudante de pintor e acusa policiais militares de tentativa de homicídio. Segundo a tia do suspeito, ele voltava de uma festa e estava em direção a uma padaria para comprar pão, quando foi abordado por policiais. O local é chamado de Praça da Alegria, diferente de onde os policiais disse que o suspeito foi baleado.

"Eles pegaram o Phelipe, deram um tiro no ombro e levaram para a mata para terminarem o serviço. Eles só não executaram ele ali mesmo porque uma vizinha gritou". A ex-mulher de Phelipe, Luene Betina, com quem tem um filho de 3 anos, afirma que os PMs forjaram o crime. "Tem morador que viu a polícia trazer uma arma e uma granada". O pai de Phelipe, Fernando de Lima, 41 anos, disse que a polícia o impediu de ver o filho. A delegada Taiane Moraes informou que a proibição pode ter sido por determinação médica, mas solicitou que os pais tenham acesso quando os médicos determinarem.

Protesto fechou ruas

Com gritos de "polícia assassina", cerca de 50 pessoas fecharam a Avenida Princesa Isabel, primeiro no sentido Botafogo e em seguida em direção a Avenida Atlântica, na esquina com a Avenida Nossa Senhora de Copacabana. Policiais do 19º BPM (Copacabana) foram chamados para reforçar o contingente de PMs no protesto.

A polícia tentava liberar ao menos uma faixa, mas os manifestantes a ocupavam novamente. Eles chegaram a colocar os cartazes contra a polícia no chão, se sentaram no asfalto e começaram a cantar funks. Em muitos momentos, os manifestantes e policiais trocaram empurrões, até o instante em que um dos PMs jogou gás de pimenta contra as pessoas que estavam no local, inclusive em curiosos que estavam presentes.

Quando a polícia conseguiu liberar o trânsito, os manifestantes foram para frente do hotel Windsor Atlântica (antigo Le Méridien), ainda na Avenida Princesa Isabel, e gritaram "não vai ter Copa", para turistas que estavam na porta do local. A polícia fez uma barreira quando os integrantes do protesto se aproximaram do hóspedes, mas eles foram embora em direção ao Chapéu Mangueira, onde iriam se reunir com as comissões de Direitos Humanos da Alerj e OAB.

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