Por thiago.antunes

Rio - Dois policiais militares da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) do Morro do Alemão foram atacados a tiros, na manhã desta segunda, durante um patrulhamento de rotina pela comunidade. Surpreendidos por traficantes no Largo do Bulufa, eles acabaram baleados nas pernas. Os PMs revidaram, e os bandidos fugiram em meio ao tiroteio. Depois dos tiros, PMs de outras UPPs reforçaram o policiamento na região. O caso está sendo investigado pela 45ª DP (Complexo do Alemão).

Ataques em áreas pacificadas se intensificaram nos últimos mesesAlessandro Costa / Agência O Dia

O ataque ocorreu por volta das 9h30. Socorridos, os policiais foram levados à Policlínica Rodolpho Rocco, o antigo PAM de Del Castilho. De lá, transferidos para o Hospital Central da Polícia Militar (HCPM), no Estácio. Segundo a PM, os policiais feridos passam bem. Os ataques em áreas pacificadas se intensificaram nos últimos meses. Só neste ano, quatro policiais morreram e 36 se feriram em ações orquestradas por traficantes em áreas pacificadas.

Dois dos ataques ocorreram justamente no Morro do Alemão. No dia 20 de março, dois soldados foram atingidos ao serem surpreendidos por um grupo de cerca de 15 traficantes numa localidade conhecida como Areal. No dia 17 de abril, outros dois policiais militares da mesma unidade se feriram num tiroteio no Beco do Sabino.

Quatro dias depois, agentes da Polícia Federal e policiais civis prenderam dois traficantes acusados de serem os articuladores dos ataques em áreas pacificadas. Bruno Eduardo da Silva Procópio, conhecido como Piná, e Eduardo Fernandes de Oliveira, o 2D, foram capturados numa casa onde passavam o feriado com a família em Búzios, Região dos Lagos.

Trabalho de repórter do DIA no ‘NYT’

Os recentes ataques a policiais e o aumento dos índices de criminalidade em áreas pacificadas, às vésperas da Copa do Mundo, chamaram a atenção do jornal americano ‘The New York Times’, que usou como referência em sua edição de sexta-feira estatísticas colhidas pela repórter do DIA Roberta Trindade. O trabalho independente dela foi usado como base e citado na publicação. “Comecei a coletar dados sobre policiais mortos ao perceber que as estatísticas só levavam em conta quem morria em serviço. Estatísticas são formadas por rostos também”, disse Roberta.

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