Por thiago.antunes

Rio - A Polícia Civil investiga a morte do fotógrafo Luiz Cláudio Marigo, de 63 anos, que passou mal em frente ao Instituto Nacional de Cardiologia (INC), na tarde desta segunda-feira, em Laranjeiras. Ele desmaiou dentro de um ônibus e o motorista buscou socorro na unidade, que enfrenta greve de servidores federais e não possui emergência. Segundo funcionários, havia pelo menos três médicos plantonistas no momento.

Luiz Cláudio Marigo%2C de 63 anos%2C era fotógrafo especializado em natureza. Ele morreu na segunda-feira após sofrer um infarto e não ser socorrido no INC%2C em LaranjeirasReprodução Facebook

“Vamos investigar se os médicos de plantão tinham condições de agir e se omitiram. Se for constatado que houve omissão, poderão responder criminalmente”, disse Brenno Carnevale, delegado-adjunto da 10ªDP (Botafogo), onde o caso foi registrado. O motorista e o cobrador foram ouvidos. Mais duas testemunhas serão intimadas a depor. O corpo foi levado para o Instituto Médico Legal.

O fotógrafo pegou o ônibus da linha 422 (Grajaú-Cosme Velho) na altura do Largo do Machado. Em entrevista à TV Globo, Amarildo Gomes, motorista do coletivo, relatou que decidiu parar na porta do INC quando o homem começou a passar mal, com fortes dores no peito. Diante da negativa ao atendimento, chamou o Samu, que demorou cerca de 30 minutos para chegar, sem que médico algum aparecesse para ajudar.

“No total, passou cerca de uma hora entre nossa chegada e a morte do passageiro, sem que nenhum médico do hospital descesse”, disse. Cristiane Gerado, diretora do Sindsprev-RJ, sindicato dos trabalhadores da saúde em greve, negou que a paralisação tenha a ver com a morte do idoso. “Nós lamentamos essa morte, mas greve da saúde não significa falta de médicos”, resumiu.

Em nota, o INC informou que não é credenciado para atender emergências e que “não houve tempo de prestar socorro ao homem. Ele não pôde ser retirado do ônibus, pois o movimento dificultaria a reanimação”.

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