Por felipe.martins

Rio - O corpo do fotógrafo Luis Claudio Marigo foi enterrado na tarde desta terça-feira no Cemitério São João Batista, em Botafogo, Zona Sul do Rio. Cerca de 200 pessoas, entre parentes e amigos, compareceram ao local. Marigo morreu após passar mal dentro de um ônibus. O motorista do coletivo chegou a levá-lo até a porta do Instituto Nacional de Cardiologia, mas o atendimento só foi realizado cerca de 30 minutos depois por agentes de saúde do Samu. 

De acordo com a viúva de Marigo, Cecília Banhara Marigo, 69 anos, a família estuda entrar com ação judicial contra o hospital por negligência no atendimento. "Ele foi abandonado no momento que mais precisou. Ele que tanto fez pela sociedade, um defensor da natureza", disse.

Luiz Cláudio Marigo%2C de 63 anos%2C era fotógrafo especializado em natureza. Ele morreu na segunda-feira após sofrer um infarto e não ser socorrido no INC%2C em LaranjeirasReprodução Facebook

O filho do fotógrafo, Vitor Marigo, 30 anos, estava inconformado como a forma que o pai foi tratado. "Espero que ele vá em paz. Adoraria que as pessoas fossem mais bem tratadaas do que meu pai foi. Não quero que aconteça com o pai de mais ninguém o que aconteceu com meu pai", disse ele, que também é fotógrafo.

O humorista Hélio de La Peña lamentou a morte do amigo. "Era uma figura ótima, querida, super engajado nas causas que defendia. Essa morte absurda vem a ser a última polêmica do Luis Claudio, ao mostrar o descaso com a vida num hospital de referência. Se ele teria chance de ser salvo não sabemos, o que temos certeza é que nada foi feito e houve um descaso do hospital", declarou.

Polícia e Cremerj investigam

A Polícia Civil informou que está investigando a morte do fotógrafo de 63 anos que morreu dentro do ônibus em frente ao Instituto Nacional de Cardiologia (INC). De acordo com informações da assessoria de imprensa, o caso foi registrado nesta segunda-feira na 10ªDP (Botafogo). O delegado titular da distristal já ouviu o motorista e o cobrador do ônibus. As investigações agora estão a cargo da 9ªDP (Catete), que instaurou inquérito policial para apurar a responsabilidade pela morte de Luiz Cláudio Marigo.

O delegado titular da 9ªDP, Roberto Nunes, afirmou que os médicos responsáveis pelo caso poderá responder por homicídio doloso. "Vamos procurar saber junto ao hospital quem é que tinha de estar de plantão naquela data, quem eram os responsáveis que lá se encontravam, e que tinham o dever legal de fazer o atendimento. E se não o fizeram vão responder por homicídio doloso. Mas vamos aguardar a perícia para saber se a vítima faleceu no ônibus e se por acaso, com atendimento ainda poderia sobreviver”, disse em entrevista à Rádio CBN.

A polícia também vai ouvir o socorrista do Corpo de Bombeiros e vai identificar os médicos que estavam de plantão no hospital para prestarem depoimento na delegacia. Outras duas testemunhas também serão ouvidas.

O Conselho Regional de Medicina do Rio de Janeiro (CREMERJ) também vai investigar a morte de Marigo. De acordo com a nota enviada à imprensa, o Cremerj afirma que, apesar da greve, o atendimento na emergência e urgência dos hospitais federais está acontecendo normalmente, assim como aos pacientes com câncer e com doenças crônicas.


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