Por paulo.gomes

Rio - A família do fotógrafo Luiz Cláudio Marigo, de 63 anos, que morreu na tarde de segunda-feira em frente ao Instituto Nacional de Cardiologia (INC), em Laranjeiras, busca uma explicação para a falta de atendimento na unidade. Ele sofreu um infarto dentro de um ônibus mas não foi socorrido pelos médicos do hospital que está em greve.

"Ele estava em frente a um hospital de cardiologia que é referência nacional. Deve ter centenas de cardiologistas lá dentro. Eu acho que isso tem que ser investigado, apurado melhor. Mas ao que tudo indica foi uma tremenda negligência, uma tremenda falta de respeito que pode ter custado a vida do meu pai", diz Vitor Marigo, filho do fotógrafo, ao Bom Dia Brasil.

Luiz Cláudio Marigo%2C de 63 anos%2C era fotógrafo especializado em naturezaReprodução Facebook

Cecília Banhara Marigo, viúva de Luiz Cláudio, também não escondia sua revolta pela falta de socorro dos médicos do INC ao fotógrafo. "É um absurdo completo ninguém ter prestado socorro. O motorista parou ali (no Hospital) dizendo: 'eu tenho um passageiro passando mal do coração'. E o hospital do coração não faz nada", questiona.

Luiz Cláudio Marigo pegou o ônibus da linha 422 (Grajaú-Cosme Velho) na altura do Largo do Machado. Em entrevista à TV Globo, Amarildo Gomes, motorista do coletivo, relatou que decidiu parar na porta do INC quando o homem começou a passar mal, com fortes dores no peito. Diante da negativa ao atendimento, chamou o Samu, que demorou cerca de 30 minutos para chegar, sem que médico algum aparecesse para ajudar.

“No total, passou cerca de uma hora entre nossa chegada e a morte do passageiro, sem que nenhum médico do hospital descesse”, disse. Cristiane Gerado, diretora do Sindsprev-RJ, sindicato dos trabalhadores da saúde em greve, negou que a paralisação tenha a ver com a morte do idoso. “Nós lamentamos essa morte, mas greve da saúde não significa falta de médicos”, resumiu.

Polícia está investigando o caso

Brenno Carnevale, delegado-adjunto da 10ªDP (Botafogo), afirmou que o caso está sendo investigado para apurar se os médicos do INC têm culpa na morte do fotógrafo. “Vamos investigar se os médicos de plantão tinham condições de agir e se omitiram. Se for constatado que houve omissão, poderão responder criminalmente”, disse.

Em nota, o INC informou que não é credenciado para atender emergências e que “não houve tempo de prestar socorro ao homem. Ele não pôde ser retirado do ônibus, pois o movimento dificultaria a reanimação”.

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