Código de Ética motivou briga entre Cidinha Campos e Domingos Brazão

Bate-boca na Alerj foi durante reunião de Colégio de Líderes

Por O Dia

Rio - Uma das maiores discussões na história da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) foi causada pela apresentação de uma emenda ao novo Código de Ética da Casa. Aprsentada pela deputada Cidinha Campos (PDT), a proposta pedia que os membros do Conselho de Ética que tivessem cometido o mesmo crime pelo qual o parlamentar estava sendo acusado ficassem impedidos de participar do julgamento.

O deputado Domingos Brazão (PMDB) reagiu à iniciativa, desencadeando uma acirrada discussão, que culminou em troca de ofensas e xingamentos - ato contrário ao decoro parlamentar, segundo o próprio texto, em seu artigo 7º. A emenda de Cidinha não foi incluída no texto do Código, uma vez que o presidente da Casa, Paulo Melo (PMDB), declarou que a sessão estava encerrada, numa tentativa frustrada de acabar com os insultos, que foram de “vagabunda” a “assassino”.

Cidinha Campos e Brazão protagonizaram uma das maiores brigas da história da AlerjAlessandro Costa / Agência O Dia

Brazão teria reagido à proposta alegando que ela era um “cerceamento da ação dos deputados” e que “o conceito de ética era relativo”. Depois, acrescentou que muito deputados se diziam éticos, mas não eram, e apontou para Cidinha, alegando que ela estava “no bolso do governador Sérgio Cabral”. Neste momento, as frases provocaram risos de deputados da oposição que estavam sentados na grande mesa de jantar, composta por 16 parlamentares.

Cidinha reagiu dizendo que Brazão “não tinha moral para falar de ética” e chamou-o de “matador”, numa referência ao homicídio cometido quando o parlamentar tinha 22 anos e foi absolvido pela Justiça, que considerou o caso como “legítima defesa”. Quando o deputado teria rebatido afirmando que “já tinha matado muito vagabundo, mas vagabunda não”, que os parlamentares trocam os risos por caras de surpresa. Nenhum deputado ousou intervir na discussão entre os dois, que chegaram a ficar a menos de um metro de distância. Alguns se retiraram do local, antes da briga terminar.

Alerj analisa quebra de decoro

A briga acirrada entre os deputados acabará em um processo por quebra de decoro parlamentar, que pode acarretar até em perda de mandato para ambos. Deputados que presenciaram a briga afirmaram que os dois trocaram ofensas pessoais. O corregedor da Alerj , deputado Comte Bittencourt (PPS), também afirmou que houve quebra de decoro pelos dois.

Cidinha registrou queixa na terça-feira contra Brazão pelos xingamentos na Delegacia de Atendimento e Proteção à Mulher (Deam). A discussão entre os dois continou no mesmo dia no plenário, porém, mais amena. As reuniões do Colégio de Líderes não são gravadas nem redigidas em notas taquigráficas.

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