Corpo de Bombeiros investiga demora em socorro de idoso na Lapa

Homem passou mal em uma rua, é levado para o hospital quase duas horas depois do chamado e acaba chegando morto

Por O Dia

Rio - O Corpo de Bombeiros vai investigar a demora do atendimento a um idoso, que ficou 40 minutos esperando uma ambulância do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), ontem, na Lapa. De acordo com o órgão, havia ambulâncias disponíveis no quartel central, a cinco minutos do local do acidente, que não foram acionadas.

Antônio Sieira Blanco, de 93 anos, desmaiou após uma crise de hipoglicemia. Ele foi levado para o hospital uma hora e 50 minutos depois do chamado de emergência e já chegou morto no Souza Aguiar. Antes da chegada do Samu, técnicos de uma ambulância do Hospital Federal do Andaraí, que passava no local, chegaram a descer do veículo, mas se recusaram a prestar socorro ao idoso. Um dos profissionais disse que não podia fazer nada porque a ambulância já estava cheia.

“Mesmo que estivesse cheia, eles deveriam dar uma orientação ou pelo menos fazer os primeiros socorros no meu pai”, protestou o filho de Antônio, o comerciante Luiz Antônio Sieira, de 54 anos. A direção do Hospital do Andaraí vai abrir sindicância para apurar o caso. Segundo o presidente do Sindicato dos Médicos, Jorge Darze, não é procedimento normal uma ambulância federal atender casos de emergência na rua. “Provavelmente não havia profissional preparado nela”, alegou.

A dona de casa Rosane Freitas, de 51 anos, ligou para o Corpo de Bombeiros às 11h50 e foi orientada a aguardar, pois havia uma fila de espera para atendimento. A primeira ambulância do Samu, do tipo básica, sem médico, chegou 40 minutos depois do chamado. Após constatar a gravidade do caso, o próprio técnico de enfermagem solicitou uma unidade avançada, que apareceu 10 minutos depois. Antônio ficou por uma hora dentro do veículo recebendo atendimento até ser levado para o Souza Aguiar.

Bombeiros fazem massagem cardíaca%2C enquanto aguardam o Samu para levar Antônio ao hospitalDivulgação

Vítima morreu de parada cardíaca, diz médico particular

Até a noite de ontem, a causa da morte de Antônio ainda não tinha sido confirmada pela direção do Hospital Municipal Souza Aguiar. Mas, segundo o comerciante Luiz Antônio, filho do idoso, após a avaliação de um médico particular, ficou comprovado que ele teve hipoglicemia, seguida de pressão alta e parada cardíaca.

Antônio era espanhol e morava na Lapa há mais de 60 anos com a esposa de 91 anos e o filho. Antes de desmaiar, ele tinha ido a um hospital perto de casa para buscar exames. “Meu pai tinha diabetes, mas era controlada. Eu pedi para ir com ele ao hospital, mas ele disse que não precisava e acabou indo sozinho de táxi”, relatou Luiz. “O sistema público de saúde nunca funciona mesmo. Quantos ainda vão morrer desse jeito?”, criticou o comerciante. O enterro do idoso será amanhã, pois a família aguarda a chegada de uma outra filha de Antônio, que mora em Portugal.

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