Argentino veio de bicicleta e vai torcer de fora do estádio

Caseiro e aventureiro apaixonado pela seleção pedalou por 3.000 quilômetros

Por O Dia

Rio - Ser louco por futebol e aventura foi fundamental para pelo menos um argentino chegar ao Rio com gastos reduzidos. O caseiro de um sítio em Córdoba, no interior da Argentina, Daniel Amadeo, de 53 anos, planejou conhecer a Cidade Maravilhosa há 10 anos. Em abril a oportunidade chegou, pois, os patrões viajaram e deram férias a ele. Amadeo, então, decidiu que era hora de concretizar o antigo sonho.

Amadeo tira fotos com turistas para faturar e se manter no RioSeverino Silva / Agência O Dia

Sem muito dinheiro para as passagens ou ingressos, ele resolveu chegar ao Brasil seguindo uma tradição familiar: colocou a bicicleta de 108 anos do avô na estrada. “Percorri, pedalando, cerca de 3.500 quilômetros no período de um mês e cinco dias”, conta o caseiro, orgulhoso.
Na pequena maleta colocada na cesta da bicicleta conseguiu tudo que precisa: colchão e capa de dormir, roupas, sapatos e, claro, mate. O argentino, que está há quase um mês na cidade, diz estar emocionado com o acolhimento que teve na cidade.

Desde que chegou está morando em uma borracharia de um brasileiro, perto da Praça da Bandeira. “Eu o conheci do lado de um ponto de ônibus. Pedi ‘água caliente’ e vi que ele me olhava e não entendia o que eu falava. Dali a pouco ele respondeu: ah, ‘água quente’. Aí iniciamos uma conversa e nos tornamos amigos”, lembra Amadeo, rindo da situação. O sustento vem de uma poupança que ele não revela o valor e de um improviso: ganha dinheiro tirando fotos com torcedores em frente ao Maracanã.

Para a partida de hoje entre Argentina e Bósnia-Hezergovina, ele espera a vitória do lado de fora. “Não tenho ingressos. Vim para estar no país do Mundial e conhecer o Rio. Levo o carinho das pessoas, que creio que é o mais importante”, afirma. Ele espera que a final seja entre Brasil e Argentina, mas revela preocupação em relação a Lionel Messi. “Se ele jogar como no Barcelona temos chance de ser campeões, mas os companheiros tem que dividir a bola com ele”, opina.

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