Legião estrangeira de voluntários no Maraca

Os 1.150 anjos da guarda estão prontos para ajudar os torcedores

Por O Dia

Rio - O dinamarquês Anton Vedel, de 25 anos, trocou o frio e os famosos chocolates da capital Copenhague por uma jornada de dois meses de trabalho não remunerado na Copa do Mundo do Brasil. Descobriu aqui que não é nada doce a vida de voluntário. Os inscritos passaram por rigoroso processo seletivo do Comitê Organizador Local (COL) e os horários têm de ser cumpridos à risca. Vão orientar os torcedores no Maracanã e dar suporte no que diz respeito aos transportes, serviços de alimentação e auxílio à imprensa durante o evento.

Há um mês%2C jovens dedicam até 10 horas por dia à Copa. Trabalho voluntário termina após final no MaracaDaniel Castelo Branco / Agência O Dia

No Rio, 1.800 convocados vestem a camisa da prestatividade e exibem com orgulho o colete azul em aeroportos, hotéis e nas imediações do Maracanã. Não é para menos: mais de 4 mil candidatos tentaram e não conseguiram fazer parte da seleção.

Vedel explica o que o levou a se candidatar. “Aprendi português em 2009, quando vim ao Rio a lazer. Fiquei apaixonado pelas pessoas daqui, são abertas e felizes”, disse Vedel, que atua dentro do Maracanã e alugou um apartamento na Tijuca para a temporada. “Como gosto de futebol, não pensei duas vezes e vim para cá este ano. Além de dinamarquês e português, falo inglês e francês”.

Nos últimos dias, voluntários de diversas nacionalidades se empenharam nos preparativos para o primeiro teste de fogo: o jogo de hoje entre Argentina x Bósnia. “Eles são os braços e as pernas do evento”, informou Rodrigo Hermida, gerente de voluntários do COL.Mais de 1.150 colaboradores vão atuar apenas no Maracanã.

“Tem muita ralação, mas o intercâmbio cultural está sendo maravilhoso. Também quero ser voluntária nas Olimpíadas de 2016”, empolga-se a americana Alessandra Miranda, 22, filha de brasileiros.

Carioca, o representante comercial Marcelo da Silva, 44, é experiente na arte de colaborar. “Voluntariei no Mundial de Clubes, em 2000, e na Copa das Confederações (2013). É uma forma de treinar o inglês, além de ser ótimo para o currículo”, disse, após aconselhar um grupo de argentinos sem ingresso a assistir à partida no telão da Fifa Fan Fest, em Copacabana.

Ajuda motorizada: Apoio a gestante, obeso e especiais

Já está acostumado a vê-lo nos gramados, quando um jogador se machuca, ou nos campos de golfe. Mas esse simpático carrinho ganha hoje outra nobre função no Maracanã. Os veículos motorizados levarão portadores de necessidades especiais, gestantes e obesos pelas duas grandes rampas que dão acesso às arquibancadas que ficam na parte superior do estádio, o Nível 5.

Há quatro carrinhos com compartimentos para colocar cadeira de rodas e outros pertences. Cada um tem capacidade para três passageiros, e os condutores serão voluntários com Habilitação. “Caso eu fique encarregado de dirigir o carrinho, vou ficar feliz”, diz o dinamarquês Anton Vedel, 25 anos, estudante de Economia.

“Fomos orientados a tratar todos como vips”, conta Alessandra Miranda, 22. A beleza do Rio e a simpatia dos cariocas conquistaram a americana. Alessandra veio pela primeira vez ano passado. “Devia ter conhecido o Rio antes. Quando terminar a faculdade de Psicologia morar aqui”, planeja.

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