O adeus à cantora Marlene

Velório da artista, que morreu sexta-feira, reúne fãs, amigos e parentes no Teatro João Caetano

Por O Dia

Rio - Oração em família e canções como ‘Lata d’água’ marcaram ontem a despedida da cantora de rádio Vitoria Bonaiuti Delfino dos Santos, a Marlene. Ela morreu na sexta-feira, aos 91 anos, de pneumonia com falência múltipla dos órgãos na Casa de Portugal, no Rio Comprido, onde estava internada. À tarde, o corpo foi cremado no Cemitério Memorial do Carmo, no Caju.

O cantor Elymar Santos e fãs se despedem de Marlene, conhecida como a Rainha do RádioCacau Fernandes / Agência O Dia

O velório ocorreu no Teatro João Caetano, no Centro do Rio, mesmo local onde se apresentou pela última vez. Cerca de 50 pessoas acompanharam a cerimônia, que contou com a presença da família, de artistas, como o cantor Elymar Santos, e de fãs. Muitos deles vieram de outras partes do país para dar adeus a uma das principais divas dos anos dourados do rádio brasileiro. Foi o caso do mineiro José Vanderlei.

“Moro em Belo Horizonte, mas sempre vinha a todos os shows dela aqui no Rio. Quando soube da morte, embarquei para me despedir”, contou.

Na família Bonaiuti, as lembranças de momentos particulares ainda estão presentes. A única neta da cantora, Ágatha Nogueira Bonaiuti — filha do único filho de Marlene, Sérgio Henrique Delfino dos Santos — revelou que a música também fazia parte do cotidiano da avó. “Para nós, ela era principalmente a nossa Vitória. Mas, em toda reunião, o lado estrela brilhava. Minha avó fazia questão de cantar para a família”, disse orgulhosa.

Elymar detalhou um dos últimos projetos da carreira da cantora: um show ao lado dele e de Bibi Ferreira. “Era um sonho que eu iria realizar, mas não consegui por conta da saúde dela. Marlene queria fazer a apresentação para alegrar o filho, em retribuição do quanto ele a fazia feliz”, revelou.

O pesquisador e crítico musical Ricardo Cravo Albin, 73 anos, fez questão de ir ao Teatro João Caetano homenagear a cantora. Ele — que a conhecia desde 1965 — disse ter recebido com tristeza a notícia da morte da amiga, que considerava corajosa e versátil e que, para ele, representava a rebeldia e o carisma.

“Virei amigo e fã ao ver o trabalho da Marlene pela primeira vez. Ela era uma raridade. Uma vez, aceitou o desafio de cantar uma música chamada ‘Cocaína’ e o fez maravilhosamente bem, em ritmo de tango”, lembrou Alvin.

À tarde, o corpo de Marlene seguiu para o Cemitério Memorial do Carmo, onde foi cremado em cerimônia íntima, com a presença de cerca de 20 pessoas. O grupo escolheu discursos e orações para encerrar a cerimônia. O filho de Marlene, Sérgio Henrique, disse que as cinzas devem ser jogadas na Baía de Guanabara.

Últimas de Rio De Janeiro