Quadrilhas se inspiram na Copa para as Festas Juninas

No ano do Mundial no Brasil, dois grupos tradicionais do Rio resolveram inovar com temas esportivos

Por O Dia

Rio - O buquê de noiva em formato de bola de futebol a turistas de mochilão. Nada disso é característico de uma quadrilha junina, mas no ano da Copa do Mundo no Brasil, dois grupos tradicionais do Rio resolveram inovar com temas esportivos. Em Paciência, a Cazumbá vai ser toda em verde e amarelo, já a Gonzagão do Pavilhão, da Feira de São Cristóvão, realizará um casamento onde os convidados serão as torcidas do Brasil e Espanha, a campeã da última Copa.

O verde e amarelo e símbolos nacionais são destaques nas caipiras da Quadrilha Cazumbá%2C mas as demais cores também foram mantidas Maíra Coelho/ Agência O DIA

Criatividade para misturar futebol e festa junina não falta. Autor do tema Amor de campeonato da quadrilha Gonzagão, o dançarino Douglas Amaral criou um enredo que já deu certo. A apresentação dos 25 casais começa com a noiva fazendo uma promessa a Santo Antônio. Com a graça atendida, ela realiza seu casamento na final do Mundial. “Os convidados vão ficar na torcida e, por isso virão caracterizados de brasileiros e espanhóis. Vai ser um verdadeiro clima de decisão. E no fim, ela joga o buquê de bola de futebol para a plateia”, explica Douglas. O pano de fundo musical da dança são releituras de clássicos da
Copa, como a música ‘Pra frente Brasil’, de 1970, em ritmo de forró. “No meio da coreografia, 16 bandeiras de vários países ficarão girando”, completa.

Para valorizar a cultura junina, a Cazumbá vai apostar no Arraiároporto Internacional. A encenação começa com o prefeito, trajado de terno e chapéu caipira, dando as boas-vindas aos gringos no aeroporto.

“Os turistas serão recepcionados pela festa junina e eles vão gostar tanto que passarão a exportar esta tradição”, explica o produtor da quadrilha, Milton Luiz. Cinco dançarinos vão representar turistas de vários países, como Estados Unidos e Japão. O figurino do casal de noivos promete ser a grande atração. “A
roupa terá várias estampas. De bandeira do Brasil ao carimbo de exportação”, adianta o produtor.

Verde e amarelo deriva do milho

Em Anchieta, a quadrilha da igreja Nossa Senhora de Nazaré fará uma homenagem especial ao Brasil. O tema não é focado na Copa, mas o casal de noivos virá representando o milho, que é verde e amarelo. “A cidade toda está com as cores do Brasil e não podíamos deixar isso de fora do grupo”, declara o coordenador da quadrilha, Ângelo Mathias, que comanda 36 casais dançantes.

A Nazaré Show se inspirou no milho para ficar verde e amarelaDivulgação

A Nazaré Show foi formada há 14 anos e até hoje seus integrantes ensaiam e se apresentam na igreja. “Esta é a típica quadrilha junina. Somos nós que fazemos a festa todo ano. Colocamos as barracas, cuidamos da divulgação e, no fim, fica tudo maravilhoso”, completa Ângelo, à frente da turma há quatro anos.

Coreografia da Gonzagão começou a ser feita no fim do ano passado

Para chegar a uma apresentação digna de espetáculo, as quadrilhas investem cada vez mais no figurino e nos ensaios. Na Cazumbá, quem confecciona as roupas são os próprios dançarinos que se apresentam. A oficina de montagem fica a poucos metros do local dos treinos. A compra dos tecidos é feita de uma vez só para baratear o custo. “Cada figurino custa, em média, R$ 450. Se mandássemos fazer tudo, sairia muito caro”, declara o produtor Milton.

Na Cazumbá%2C a confecção das roupas é feita pelos próprios dançarinosMaíra Coelho/ Agência O DIA

A rotina de uma quadrilha é muito similar à de uma escola de samba. O enredo é preparado com antecedência para dar tempo de fazer as fantasias e caprichar nos ensaios. Na Gonzagão do Quadrilhão, por exemplo, a coreografia começou a ser formada em dezembro. Por três meses, o grupo se reuniu todo fim de semana, cinco horas por dia. “Tem que ter muita dedicação e disposição”, conclui o dançarino Douglas Amaral.

A exemplo do carnaval, em que as escolas são avaliadas nos desfiles, as quadrilhas também têm sua prova de fogo nos concursos de quadra. O mais importante deles será no mês que vem, em Queimados. Para conquistar a vaga, é preciso vencer três etapas eliminatórias. E só entrará na competição um representante de cada estado. Quadrilhão, Nazaré e Cazumbá estão na briga. “Nas apresentações que fizemos neste mês, recebemos uma resposta positiva dos espectadores. O tema da Copa é muito carismático”, conta Milton. Os quesitos a serem avaliados são tema, figurino, animação e conjunto.

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