Rio dividido: De um lado, hermanos no estádio; do outro, cariocas secam Messi

Bar no Maracanã libera petiscos nos gols bósnios

Por O Dia

Rio - A ironia do destino e o sorteio da Fifa fizeram com que o primeiro jogo da Copa no Maracanã seja da Argentina, a principal rival da torcida brasileira. Hoje, o templo do futebol carioca vai receber Messi e companhia numa atmosfera diferente, mas com cara de Fla-Flu.

De um lado, a multidão de argentinos que invadiu o Rio com muitas bandeiras, rostos pintados em azul e branco. Do outro, a torcida da Bósnia reforçada como nunca por rubro-negros, tricolores, vascaínos e alvinegros unidos em torno de um objetivo: secar os hermanos.

Frequentadores do Bode Cheiroso%2C no Maracanã%2C criaram a Confraria do Bósnio Cheiroso para provocar os argentinos que estarão pelos arredores no jogo de hojeJosé Pedro Monteiro / Agência O Dia

Num dos bares mais tradicionais do Maracanã, o Bode Cheiroso, inaugurado nos anos 50 assim como o estádio, e reduto de torcedores de todos os clubes, foi criada pelo historiador Luiz Antônio Simas e o advogado Eduardo Goldenberg a ‘Confraria do Bósnio Cheiroso’.

“A Argentina nunca ganhou uma Copa honestamente. Uma foi com a mão do Maradona, outra com a do (ditador) Videla”, provoca Simas, referindo-se aos títulos de 1986 e de 1978, este conquistado na Argentina durante a ditadura, e com suspeitas de manipulação de resultados.

O dono do bar, o vascaíno Leonardo Lelê, a pedido do escritor Alberto Mussa e de Felipinho Torreira, torcedor-símbolo do América, integrantes da confraria distribuirá torresmo, sardinha frita e ovo colorido nos gol da Bósnia.

“Vamos mostrar aos bósnios o que é boteco de verdade. Aqui está a alma do torcedor”, ensina Felipinho Torreira. Os hermanos rebatem. Para eles, é na Argentina que está o verdadeiro torcedor. Acrescentam que torcidas brasileiras copiam músicas e o estilo de torcer argentino.

“Aqui deste lado o torcedor só canta quando o time faz gol. Essa Copa vai ser boa para os brasileiros aprenderem a torcer”, provoca Gabriela Lopez, que viajou para o Rio com um grupo de 15 amigos com a promessa de mostrar o que é que os hermanos têm de tão diferente.

Argentinos tomaram as ruas do Rio e prometem fazer do Maracanã a casa deles à tarde. O estádio carioca estreia hoje na CopaSeverino Silva / Agência O Dia

A autossuficiência argentina, de fato, vai longe. Para eles, Messi fará no Brasil o que Maradona fez no México, em 1986 — ganhou a Copa praticamente sozinho. Ou mais: o que o uruguaio Gigghia fez em 1950, calando 200 mil pessoas no episódio que ficou conhecido como Maracanazzo — fez o gol do título da Celeste Olímpica. O time venceu de virada o Brasil (2 a 1), que jogava pelo empate.

“O principal craque do Brasil, Neymar, foi para o Barcelona aprender a jogar com o Messi, o melhor do mundo”, brinca Martin Diaz. Simas rebate: “O que o Neymar fez num jogo, o Messi não faz em duas Copas”. O casal Ana e Carlos Lopez chegou ao Rio ontem com os dois filhos e dois sobrinhos. Perguntados sobre o esperam de Messi, foram diretos: “o mesmo que vocês de Neymar, o título.” O posto móvel da Embaixada Argentina em Copacabana estima que 50 mil hermanos estejam no Rio. O número deve chegar a 100 mil no país.

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