O homem que salvou a inauguração do Maraca na Copa de 50

Tenente-coronel recorda como limpou o estádio às vésperas do jogo de estreia

Por O Dia

Rio - Faltavam menos de 15 dias para o início da Copa de 1950 e os organizadores tinham um sério problema para driblar. As obras do Maracanã — o maior símbolo daquele Mundial, construído para 200 mil torcedores —, foram concluídas muito em cima da hora.

A barreira parecia intransponível: como retirar todo o madeiramento que escoravam as pesadas lajes da parte interna da cobertura do estádio? Seria preciso um exército de homens para o serviço. “Foi aí que, literalmente, entramos em campo. Fomos convocados pela prefeitura às pressas e em dois dias retiramos mais de 200 caminhões de toras gigantes. Fizemos um ‘gol de placa’ e garantimos os jogos na estrutura”, recorda-se o tenente-coronel da reserva do Exército, Josmar Silva, 89 anos.

Josmar conta que retirou 200 caminhões de toras do MaracanãCarlo Wrede / Agência O Dia

Simpático e bem disposto, ele recorda que tinha apenas 25 anos de idade quando, como capitão da corporação, comandava um ‘time’ de 200 jovens militares, responsáveis pela segurança do Quartel-general do Ministério do Exército no Rio.

“Meu discurso para a tropa foi como um recado de técnico que quer ver a equipe vencedora: por amor ao Brasil, temos um grande desafio à frente. E ainda vamos pisar primeiro do que os jogadores no gramado. Foi o incentivo certeiro”, lembra Josmar. Encarando o obstáculo como treino físico, os rapazes, de forma rústica, usaram centenas de cabos de guerra (cordas utilizadas em atividades esportivas) e espantaram de vez a zebra de não haver jogos naquela Copa, que acabou feliz para os uruguaios.

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