Jogo entre Japão e Grécia reúne torcida do mundo todo no Fifa Fan Fest

Pessoas de todos os lugares do planeta enfrentaram o frio, munidos apenas de paixão pelo futebol

Por O Dia

Rio - A baixa temperatura com chuva fina é o suficiente para inibir qualquer carioca que goste de caminhar à noite pela Zona Sul. Mas não eram cariocas que pisavam na areia úmida de Copacabana em frente ao telão do Fifa Fan Fest, na noite desta quinta-feira. Nem mesmo um despretensioso jogo entre Japão e Grécia, seleções de menor expressão da Copa do Mundo, foi capaz de desmobilizar um público de cerca de mil pessoas.

Torcedores de todos os lugares do planeta enfrentaram o frio, munidos apenas de paixão pelo futebol. No intervalo do jogo, um iraniano estica a bandeira do país para posar para a foto em frente ao telão, tirada pelo pai, o engenheiro Ali Yazdan, de 54 anos. "Onde o Irã joga, eu quero estar lá para apoiar", sorri Yazdan.

Torcedores iranianos vibram com jogo da Copa na arena do Fifa Fan FestAlexandre Brum / Agência O Dia

Uruguaios pulam de um lado para o outro, ainda sob o efeito da vitória contra a Inglaterra. A comemoração ganhou o improvável apoio de um grupo de argentinos, eternos rivais dos ingleses. Um deles se aproxima do japonês Shinshita Masanori. Estica a camisa da seleção com as pontas dos dedos e disse: "Troca?".

Mesmo sem entender, Masanori, com os dentes à mostra, balança a cabeça rapidamente, em sinal negativo. O argentino vira de costas, exibe a 10, embaixo do nome de Messi e insiste: "É original!". Com o mesmo sorriso, o japonês repete o gesto. Agora, com a cabeça baixa. Porque acima do número 4 da sua camisa estava o nome de Honda, o astro da seleção japonesa.

Italianos, chilenos, mexicanos e até o queniano Daudi Chilongoi, de 31 anos, estava lá. Mesmo com a sua seleção fora da Copa, ele veio ao país para torcer pelas seleções africanas. Em meio à conversa, aponta para os amigos e diz, aumentando o tom de voz: "Esse é o meu povo!".

Japonês Shinshita Masanori em meio a dois torcedores gregos curtindo a festa na arena em CopacabanaAlexandre Brum / Agência O Dia

Quando o jogo recomeça, depois do intervalo do primeiro tempo, japoneses e gregos ficam em frente ao telão, enquanto a maioria dos torcedores de outras seleções apenas observam.

Enrolado em uma bandeira da Grécia, Photos Photiades, de 34 anos, fuma um cigarro atrás do outro enquanto assiste a partida. Casado com uma brasileira, ele trabalha numa companhia de embarcação e mora no país há dois anos. "O tempo não é bom, mas estou aqui para apoiar a seleção do meu país", diz.

A ideia também valia para os adversários. A cada lance de ataque do Japão, o empresário Apple Hong Suki, de 25 anos, saltava da areia, chacoalhava a cabeça e buscava os amigos com os olhos para lamentar a chance de gol desperdiçada. Ao falar de Honda, o craque japonês, ele dá uma justificativa que combina bem com a cultura nipônica: "Ele joga para o time e é um líder".

O empresário Apple Hong Suki%2C de 25 anos%2C não escondia o nervosismo a cada lance de perigo no jogo de seu paísAlexandre Brum / Agência O Dia

Apesar da idolatria pelo principal jogador do país, Hong Suki reverencia o futebol brasileiro. "O Brasil é a alma do futebol. Os brasileiros se alimentam e respiram futebol. E o mundo inteiro está aqui. É só olhar ao redor e perceber que o futebol está unindo todas essas nações".

Impossível discordar.

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