Minoria azul e branca lava a alma e festeja debaixo d’água

Uruguaios vencem duelo contra ingleses por 2 a 1 e comemoram sob chuva nas areias de Copa

Por O Dia

Rio - Com a bandeira do Uruguai estendida junto ao peito, a professora Anabelia Cambón, de 43 anos, manteve-se aflita até o apito final do juiz que decretava a vitória da seleção uruguaia contra a Inglaterra, por 2 a 1. Assim como Anabelia, cerca de 3 mil torcedores, entre ingleses e uruguaios, que não se deixaram intimidar pela chuva, levantaram as areias de Copacabana, na Arena Fifa Fan Fest, durante toda a tarde de ontem.

Apesar de os turistas da Terra da Rainha marcarem presença em maior número, quem roubou a cena foram os uruguaios. “Podemos estar em quantidade reduzida, mas o que prevaleceu, no Rio e em São Paulo, onde aconteceu a disputa, foram as cores azul e branco do meu país”, comemorou o universitário Juan Fernandes, de 23 anos, que viajou cerca de 2 mil quilômetros de carro na expectativa de ver a Celeste na final contra a seleção brasileira. “Voltaremos, voltaremos outra vez. Voltaremos a ser campeões, como na primeira vez. É Brasil e Uruguai na final, sem dúvidas”, afirmou, confiante.

Apesar de estar em menor número%2C uruguaios comemoraram muito a vitória de 2 a 1 sobre a Inglaterra%2C na Arena Fifa Fan Fest%2C em Copacabana. José Pedro Monteiro / Agência O Dia

Munida de capas e guarda-chuvas e sob marquises, a multidão tentava se esquivar da chuva, que não deu trégua enquanto os jogadores ingleses e uruguaios suavam a camisa em campo. “O bom é que a chuva lava a alma e, quem sabe, ameniza o desempenho ruim que tivemos da seleção inglesa”, desabafou o inglês Chris Gill, de 25, que apostava em uma vitória de três a um. “Não foi dessa vez, mas vamos aproveitar a Cidade Maravilhosa e cair na diversão”, ponderou o britânico, sabendo que, em caso de empate da Itália com Costa Rica, na sexta, o time inglês está fora da Copa, mesmo vencendo o último jogo.

“Não esperava perder. Ainda mais para o Uruguai. Agora, corremos o risco de ser desclassificados. Só um milagre nos salvaria. Mas, enfim, ganhamos experiência para a próxima Copa. Agora é esperar o tempo melhorar para dar um mergulho e voltar para casa”, disse a enfermeira Gladys Smith, 27, que já está com ingressos comprados para assistir, na segunda, ao jogo do Brasil contra Camarões, em Brasília. “Já que não tenho chances com a minha seleção, vou torcer para que os brasileiros conquistem mais uma taça. Eles são realmente bons.”

O evento teve apresentações da bateria da Mocidade Independente de Padre Miguel, do bloco Sargento Pimenta — que toca sucessos dos Beatles com bateria de samba — e do cantor Belo.

Colombianos vibram com a classificação

Pouco antes de seu time enfrentar a Costa do Marfim, a colombiana Clara Ninõs, 31 anos, apostou no 2 x 1. Mal sabia ela que o palpite se tornaria realidade. “Espero muito que, depois da vitória de hoje, a nossa seleção se sinta mais motivada e, assim, consiga chegar à final”, disse a corretora de imóveis, que foi com o marido torcer na Fifa Fan Fest. “Há 16 anos que a Colômbia não consegue um espaço importante no Mundial.

Com essa vitória, a nossa chance de fazer história aumentou”, disse o gastrônomo Manuel Alexandre, 23, ainda sem saber do empate de Japão e Grécia, que classificou sua seleção.

No último jogo do dia, mais de mil pessoas ainda continuavam, sob chuva, nas areias de Copacabana. Os poucos gregos e japoneses, entre argentinos, italianos e chilenos, torciam a cada lance no telão. Casado com uma brasileira e no país há dois anos, Photos Photiades, 34, fumava um cigarro atrás do outro. “O tempo não é bom, mas viemos. A Grécia tem um bom time. Mas não temos sorte”, disse. No quesito animação, os japoneses saíram na frente. O empresário Apple Hong Suki, 25, saltava da areia, colocava as mãos na cabeça e exaltava o craque do time: Honda.


Últimas de Rio De Janeiro