Sem as estrelas do partido, convenção do PT confirmará Lindbergh hoje

A convenção estadual não contará com as principais estrelas petistas, como a presidenta Dilma Rousseff

Por O Dia

Rio - O senador Lindbergh Farias terá seu nome confirmado nesta sexta como o candidato do Partido dos Trabalhadores (PT) ao governo do Estado do Rio de Janeiro. Ao contrário do que pretendia o senador, a convenção estadual não contará com as principais estrelas petistas, como a presidenta Dilma Rousseff e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, apontado como o principal incentivador da sua candidatura.

A formalização da chapa na sede do partido, no Centro, mostra a dificuldade que o ex-prefeito de Nova Iguaçu vem enfrentando para deslanchar a sua campanha até mesmo dentro da legenda. Muitos prefeitos petistas estariam debandando para a campanha à reeleição do atual governador Luiz Fernando Pezão, do PMDB.

Convenção não contará com estrelas do PTDaniel Castelo Branco / Agência O Dia

Além disso, o petista também não conseguiu aumentar o leque de partidos em torno de sua candidatura, o que elevaria o tempo de exposição na TV durante a propaganda eleitoral gratuita.
Até agora, só se coligou com o PV, que indicou o representante a vice, Roberto Rocco, e com o PCdoB, que deverá ficar com a vaga ao Senado. Até o momento, o nome mais provável é o da deputada federal Jandira Feghali.

Lindbergh também é apontado pelo PMDB como o responsável pelo fim da aliança entre as duas siglas no Estado do Rio, após sete anos de convivência e administração estadual. O racha gerou o movimento ‘Aezão’, criado por Jorge Picciani, presidente regional peemedebista, a favor do candidato à Presidência da República do PSDB, Aécio Neves, e de Pezão, no estado.

Lançado no início do mês, numa churrascaria na Barra da Tijuca, o ‘Aezão’ reuniu mais de 1.500 políticos de partidos como o próprio PMDB, PSDB, PP, PSD, Solidariedade, entre outros.
O evento acendeu o sinal de alerta da Executiva Nacional do PT em relação à campanha de Dilma Rousseff no Rio de Janeiro.

Por enquanto, o governador Pezão, o ex-governador Sérgio Cabral e o prefeito do Rio, Eduardo Paes, afirmam estar fechados com a candidatura à reeleição da presidenta Dilma Rousseff.


Na Baixada, único aliado é um dissidente do PDT

Rejeitado por Tarcísio Pessoa, de Paracambi, único prefeito do PT na Baixada Fluminense, restou ao senador Lindbergh Farias o apoio na região de um dissidente do PDT: Sandro Matos, prefeito de São João de Meriti. Em jogo, quase 3 milhões de eleitores, cerca de 20% do eleitorado do estado.

Até pouco tempo, Sandro colocava-se como pré-candidato ao Palácio Guanabara ou mesmo a vice, na chapa de Luiz Fernando Pezão, do PMDB. Hoje, Sandro chama de “incoerente” a aliança do partido com o do governador.

Preterido por Carlos Lupi, que optou pelo deputado Felipe Peixoto na chapa de Pezão, Sandro Matos preferiu arriscar. E tornou-se coordenador-geral da campanha de Lindbergh, ao lado de Washington Quaquá, prefeito de Maricá e presidente regional do PT.

Sandro desdenha do apoio maciço de prefeitos a Pezão. “Em nenhuma eleição na qual se sagrou, o senador saiu na frente nas pesquisas. Sérgio Cabral, em 2006, tinha a seu lado 91 prefeitos e foi para o segundo turno com Denise Frossard”, disse.

Lideranças locais são alvo

A estratégia de Lindbergh Farias para conquistar votos na Baixada é ter ao lado lideranças políticas e sociais da região. “Eleição é vencida mobilizando-se a base, os líderes locais”, ensina o prefeito Sandro Matos, coordenador da campanha do petista.

Por isso, o pré-candidato já esteve duas vezes na Baixada, participando de reuniões. “Vamos dialogar principalmente com vereadores e lideranças, que são de fato os que conquistam votos”, adianta Sandro.

Nos encontros, ainda em locais fechados por força da legislação, o senador lembra que foi prefeito de Nova Iguaçu e alega conhecer os problemas da região. “Sei como a Baixada é abandonada pelos governos, que só olham para Zona Sul do Rio”, diz a eles Lindbergh Farias.

O presidente regional do PT e prefeito de Maricá, Washington Quaquá, apoia a estratégia, mas garante que as lideranças petistas vão ajudar o candidato e promete fechar acordos com outras legendas.

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