Policiamento ostensivo não barra 'jeitinho' dos cariocas no Maracanã

Segurança foi reforçada, mas torcedor aproveita intervalo ou sobra de ingressos

Por O Dia

Rio - Cerca de 3.100 policiais militares revistavam quem chegava perto do Maracanã em diversas barreiras montadas nas ruas do entorno ontem, para a partida entre Bélgica e Rússia. O objetivo era evitar os problemas ocorridos nos dois primeiros jogos, quando argentinos e chilenos conseguiram invadir o estádio para assistir as suas seleções.

Apesar de todo o aparato, O DIA flagrou dezenas de pessoas usando um antigo expediente para entrar sem pagar um centavo sequer: esperar o intervalo da partida. Do lado de fora, cambistas driblaram a segurança e voltaram a agir, oferecendo ingressos por até mil dólares. Ao todo, 32 foram presos, sendo 24 deles estrangeiros.

Bloqueio%3A 3.100 PMs formaram cordões de isolamento nas entradas para evitar a invasão de torcedoresAndré Luiz Mello / Agência O Dia

“Nunca fiquei de fora do Maracanã. Antes, liberavam a entrada, sobretudo na geral, para quem estava duro. Mas agora tem uma porção de gente da Fifa com sobra de ingresso e distribuindo para os amigos em vez de vender, com medo de ser preso”, contou o rubro-negro Daniel Medeiros, 37 anos.

O maior problema para conseguir o ingresso neste jogo era chegar perto do estádio. Uma das soluções era ter um amigo voluntário disposto a encontrá-lo perto de uma das barreiras. “Tem outro jeito, mas não posso falar se não posso acabar perdendo a molezinha”, brincou Daniel.

Um dos integrantes do Comitê Organizador Local negou que a Fifa esteja distribuindo ingressos não vendidos, mas confirmou que há uma sobra de bilhetes que está sendo doada por patrocinadores da Copa.

“Eu mesmo acabei, sem querer, ficando com um. Uma menina do Itaú perguntou se eu queria um ingresso. Quando fui ver, era ingresso de hospitalidade no setor 1. O mais caro (que era comercializado a 270 dólares). Liguei para a minha namorada e falei para vir correndo”, disse ele, que não quis se identificar.

Não foram apenas os cariocas acostumados a frequentar o Maracanã que se deram bem no jogo de ontem. Cinco colombianos que estavam nas redondezas não acreditaram quando ganharam ingressos durante o primeiro tempo. E subiram a rampa correndo no intervalo do jogo. “Achei que fosse mentira. Mas não!”, disse, incrédulo, o colombiano Gabriel Vilalba.

A Polícia Federal informou que 56 dos 85 chilenos que invadiram o Maracanã já saíram do Brasil. Além deles, um boliviano que estava envolvido no episódio também deixou o país. Os outros estrangeiros poderão ser deportados.

Bombeiro canadense é detido pela PM tentando vender ingressosFábio Gonçalves / Agência ODIA

Cambistas ‘gringos’ desafiam PM

Policiais militares da Coordenadoria de Inteligência e do 4º BPM (São Cristóvão) detiveram ontem 32 pessoas tentando vender ingressos ilegalmente. Foram apreendidos 34 ingressos, R$ 6.439 e 3,5 mil dólares em espécie. Um deles era um bombeiro canadense, que escondia quatro ingressos no boné. Entre os 24 cambistas estrangeiros, havia colombianos, alemães, argentinos, americanos, chilenos, equatorianos, suecos e mexicanos. Um russo, um inglês, um escocês, um panamenho, um suíço, um venezuelano e um coreano também foram detidos.

“A maioria estava com bilhetes em nome de outras pessoas, inclusive brasileiros, e não sabia informar a origem deles”, disse o tenente-coronel Luciano Araújo, do BP-Tur. Segundo ele, os ingressos eram vendidos por 400 dólares. No entanto, a reportagem flagrou a venda por até mil dólares. Na noite de sábado, dois ingleses com 30 ingressos foram presos em um hotel da Zona Sul.

Os torcedores chegaram ao Maracanã às 8h. E com muita sedeCaio Barbosa / Agência O Dia

Cerveja que nem água

Fanáticos por cerveja, os belgas chegaram cedo ao Maracanã e antes das 8h já havia centenas deles em torno do tradicional Bar dos Esportes, que fica em frente ao acesso C (antigo Portão 18).

A sede dos visitantes chamava a atenção. Bebiam cerveja, literalmente, como se fosse água. Até porque era mais ou menos esta a impressão que tiveram das marcas brasileiras, bem mais leves que as belgas.

“São um pouco estranhas no primeiro gole, mas depois a gente entende que combina com o futebol e o clima daqui, porque dá para beber o tempo inteiro. Parece água com gosto de cerveja. E neste calor, até que eu gostei”, disse Jan Berwanger.

Ao ser informado que no Brasil não é permitido beber nos estádios, a não ser durante a Copa, o torcedor belga se espantou. “Os dirigentes têm raiva do povo?”, ironizou.

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