Presidente da Alerj passa bem e faz até reunião com assessores em hospital

Apesar da ótima recuperação, deputado Paulo Melo segue internado por conta da medicação de antibiótico intravenoso

Por O Dia

Rio - O presidente da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), o deputado Paulo Melo (PMDB), segue se recuperando bem da fratura que sofreu no pé após fugir de tiros disparados pelos criminosos que invadiram seu sítio em Rio Bonito, na Região Metropolitana do Rio, na noite do último sábado. Entretanto, o deputado segue sem previsão de alta. Na noite de ontem e hoje pela manhã o parlamentar recebeu assessores, deputados e procuradores da Alerj, chegando a fazer reuniões políticas dentro do quarto. 

De acordo com assessoria do parlamentar, todos "precisaram ser expulsos" pelos médicos. Apesar da ótima recuperação, Paulo Melo segue internado no Hospital Copa D'Or, na Zona Sul, por conta do antibiótico intravenoso que está sendo medicado, segundo a direção do hospital. 

Presidente da Alerj%2C Melo teve fratura exposta no pé e precisou passar por duas cirurgias%3A ataque em Rio BonitoUanderson Fernandes / Agência O Dia

Deputados criam comissão para acompanhar investigação

Em nota, a Alerj se solidarizou com o presidente da Casa, pedindo a devida apuração dos fatos e a identificação e punição dos responsáveis pelo crime. Também será criada uma comissão integrada formada pelos deputados Luiz Paulo (PSDB), Zaqueu Teixeira (PT), Flávio Bolsonaro (PP) e Paulo Ramos (PSol) para acompanhar a investigação policial.

?Dois PMs que fazem a segurança de Paulo Melo foram baleados. A polícia não descartou nenhuma hipótese para o crime, já que o parlamentar diz ter sido ameaçado há quatro anos. Horas após ter o seu sítio invadido por criminosos o presidente da Alerj afirmou não saber se o ocorrido foi um assalto ou atentado.

Ele sofreu fratura exposta no pé ao tentar escapar de tiros disparados pelos criminosos. O parlamentar precisou passar por duas cirurgias.

“Fui surpreendido”, relembrou Melo, domingo à tarde, ainda sob efeito de sedativos após a segunda cirurgia no pé, no Hospital Copa D’Or. “Não vou dar palpite porque não sei o que aconteceu”, complementou o deputado, com o quadro de saúde estável.

Sítio onde mora o deputado Paulo Melo%2C em Rio BonitoAlessandro Costa / Agência O Dia

A primeira operação, de emergência, foi realizada no Hospital Darcy Vargas, em Rio Bonito, onde os dois seguranças também foram atendidos. Os sargentos Marcelo Ferreira Neves e Edgar Antunes Leite — lotados na Alerj — levaram um tiro na perna e nas nádegas, respectivamente, e foram transferidos para o Hospital da PM, no Estácio. Eles estão em observação e passam bem.

O deputado foi transferido para o Rio de helicóptero e recebido na cidade pelo governador Luiz Fernando Pezão e pelo ex, Sérgio Cabral, no heliponto da Lagoa. Ele precisou passar por nova intervenção cirúrgica no Rio.

Na madrugada de domingo, agentes da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) e do Batalhão de Operações Especiais (Bope) fizeram buscas na região do sítio para achar os criminosos, com apoio de helicóptero. A perícia foi feita no imóvel na mesma noite, e a segurança do local, reforçada durante todo o dia pela Polícia Civil, que evitou a aproximação da população do imóvel. Policiais de diversas delegacias da região foram apoiar às investigações da 119ª DP (Rio Bonito).

Sangue no interior da sítio do deputadoDivulgação

O sítio fica em um local ermo, no distrito de Lavras, mas tem câmeras de vigilância que podem ser úteis na investigação. As imagens foram requisitadas. Ainda ontem, a polícia ouviu três funcionários de um imóvel vizinho e os policiais acionados para a ocorrência. As vítimas ainda não prestaram depoimento. É o segundo crime de repercussão ocorrido no local, onde, em 2007, o ex-milionário da Mega Sena René Senna foi executado a tiros.

A invasão ocorreu por volta das 23h30. Paulo Melo tinha acabado de disputar uma partida de futebol com amigos no próprio sítio. Quando ele ouviu os tiros, teria corrido para fugir dos disparos. Os seguranças foram atingidos e as marcas de sangue ficaram espalhadas dentro da casa.

Mulher relata momentos de tensão

No Hospital Darcy Vargas, ontem de madrugada, Franciane Mota, mulher do deputado e prefeita reeleita de Saquarema, disse que o marido tinha participado de uma partida de futebol com amigos no sítio antes do crime. Abatida, ela contou que o casal jantava, após todos terem ido embora, por volta das 23h30, quando escutou estampidos vindos da varanda.

“Escutamos barulho e pensamos que fossem fogos, morteiros, quando percebemos que, na verdade, se tratava de um tiroteio. Tentamos nos esconder dentro de casa e na correria o Paulo acabou sofrendo uma queda e fraturou o dedo do pé”, contou a prefeita.

Ela afirmou que o deputado não foi vítima de qualquer ameaça no últimos tempos. Franciane preferiu não cogitar sobre a motivação da ação no sítio. Além do casal de políticos, estavam na casa alguns empregados e os dois seguranças baleados.

A prefeita de Saquarema e esposa do deputado Paulo Mota%2C Franciane Mota%2C estava no sítio com o parlamentar%2C quando a propriedade foi invadida por criminososEstefan Radovicz / Agência O Dia

Em 2010, Melo disse ter recebido denúncia que seria assassinado

No dia 29 de junho de 2010, Paulo Melo afirmou, no plenário da Alerj, que tinha recebido a denúncia de que seria assassinado até 20 de julho daquele ano. Na época, o parlamentar disse que a informação foi transmitida por pessoa de sua extrema confiança que circulava no meio policial.

De acordo com a fonte, quatro pessoas teriam sido contratadas para praticar o atentado na Estrada Latino Melo, em Saquarema. A fonte informou, ainda, que a quadrilha atuava no bairro de Campo Grande, no Rio. Paulo Melo acreditava que o crime teria motivação política.

Ontem, deputados da Alerj criticaram a segurança pública no estado. Carlos Minc (PT) disse que ficou ‘consternado’ com a notícia que, segundo ele, mostra o quanto a polícia deve melhorar. “Se um deputado passa por essa situação, imagina como um cidadão comum é exposto a isso. Temos que aumentar a capacidade de investigação e punição da polícia”.

Já Dionísio Lins (PP), que é membro da comissão de Segurança Pública da Alerj, declarou que não ficou espantado com o crime contra Paulo Melo. “Onde moro, por exemplo, em Madureira, o policiamento é quase zero. Tem assalto todos os dias, os bandidos andam armados com fuzis”.

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