Candidata à reeleição, Dilma Rousseff perde espaço no Rio

Presidenta terá de dividir palanque de Pezão com Aécio e de Lindbergh com Eduardo Campos

Por O Dia

Rio - A candidatura da presidenta Dilma Rousseff foi a mais prejudicada pela reviravolta no quadro político do Rio de Janeiro. Se antes ela dispunha de quatro palanques no estado, hoje é obrigada a dividir o espaço em dois deles com seus principais adversários: o candidato tucano Aécio Neves (PSDB), que tem agora o apoio do governador Luiz Fernando Pezão, e o ex-governador Eduardo Campos, do PSB, que se uniu com o PT do senador Lindbergh Farias. “As últimas horas na política do Rio confundiram mais do que esclareceram”, resumiu ontem o deputado e ex-ministro Luiz Sérgio (PT).

Além de Pezão e de Lindbergh, Dilma Rousseff conta com o apoio dos candidatos do PR, Anthony Garotinho, e do PRB, Marcelo Crivella.

“ O que vejo de mais errado é esse gasto astronômico e o enriquecimento ilícito de políticos" Romário, deputado e candidato ao Senado pelo PSBDivulgação

Depois de garantir apoio exclusivo à presidenta, o governador Pezão admitiu ontem pela primeira vez que abrirá o palanque para Aécio Neves. A declaração foi dada ao anunciar formalmente a coligação com o DEM e a candidatura em sua chapa do ex-prefeito e vereador Cesar Maia ao Senado.

O PPS e o PSDB também se uniram ao PMDB, reforçando o movimento ‘Aezão’, criado pelo presidente regional do PMDB, Jorge Picciani, em favor de Aécio e de Pezão. Com a aliança, Pezão, que é apoiado por 18 partidos, terá três presidenciáveis em seu palanque: Dilma, Aécio e o pastor Everaldo, do PSC.

Discurso para justificar o fim da exclusividade de Dilma não falta: foi o PT, lembra o governador, que rompeu a aliança após sete anos e três meses participando do governo. “O PT tinha duas prefeituras e agora tem 11. Tem o vice-prefeito da capital e um senador eleito pela nossa aliança. Eles que romperam e abriram essa possibilidade de ter outros palanques em nossa aliança”, afirmou Pezão.

Ele disse ter o “maior carinho” pela presidenta, com quem estará em inaugurações de obras no estado no início da próxima semana.

“ O governo do Cabral não tem políticas públicas em área nenhuma das funções precípuas do estado” Cesar Maia, vereador e candidato ao Senado pelo ‘Aezão’André Luiz Mello / Agência O Dia

Cesar Maia, que ocupou a vaga aberta pelo ex-governador Sérgio Cabral, justificou o reforço à campanha do tucano Aécio como principal motivo para a adesão à chapa do ex-adversário Pezão. Ele explicou que o acordo foi costurado pelo próprio Aécio e por Jorge Picciani, durante o fim de semana. “A minha decisão não demorou mais de 10 segundos”, contou Cesar, após receber o pedido do senador tucano para desistir da candidatura própria e se engajar no movimento ‘Aezão’.

Em relação à polêmica declaração de Paes, o ex-prefeito foi direto: “É natural. Ele saiu do meu útero”, afirmou, referindo-se a ter lançado o prefeito na política.

Picciani minimizou as palavras de Paes, dizendo que o prefeito é um companheiro que foi aceito pelo partido. “Ele tem o direito de divergir, mas saberá seguir a linha partidária”, assegurou o presidente do PMDB do Rio.


O QUE DISSE CESAR

“Prefeitura do Rio: um enorme fracasso gerencial e político.” Análise feita por Cesar Maia em seu blog, no dia 22 de junho de 2011.

“Não há autoridade no estado.” Maia em entrevista ao DIA, em 19 de outubro 2013.

“Se eu acho que Pezão sozinho não tem chance nenhuma, eu vou jogar pedra em cachorro morto?” Maia em entrevista ao DIA, também em 19 outubro de 2013.


O QUE DISSE ROMÁRIO

“Acreditei nos três. No Lula, na Dilma e no Ricardo Teixeira. Quem não quer uma Copa do Mundo no país? Principalmente com todos os gastos vindo de empresas privadas. Mas, infelizmente, virou totalmente contra o que era lá atrás e virou uma roubalheira.” ESPN, em 24 março último

“O governo do PT, que superestimou o evento, está colhendo os frutos que plantou com a revolta da população.” Facebook, em 17 de maio último.

Paes sabia do apoio do DEM

Foi de olho na sucessão municipal que o prefeito Eduardo Paes decidiu partir para o ataque e carimbar a aliança do PMDB fluminense com o DEM do ex-prefeito e vereador Cesar Maia de “bacanal eleitoral”. Ex-afilhado político de Maia, hoje seu desafeto, Paes participou, desde o início, das negociações que levaram à coligação entre o PMDB, o DEM e o PSDB de Aécio Neves. Mas a reação considerada exacerbada por aliados tem um motivo: o prefeito teme o “renascimento eleitoral” de Maia, o que o transformaria num adversário forte em 2016.

A costura que selou a aliança do PMDB com o DEM começou a ser engendrada há três domingos num encontro, na Gávea Pequena, residência oficial do prefeito, entre Paes e Rodrigo Maia, filho do ex-prefeito. Ali foi dado o pontapé para a união dos dois partidos. O prefeito de Salvador, Antonio Carlos Magalhães Neto, foi um dos protagonistas.

Ele se reuniu no Rio com Paes. Os dois tornaram-se amigos durante a CPI dos Correios, que desvendou o esquema do mensalão. Na época, faziam oposição ferrenha ao governo Lula. Toda negociação foi feita com o aval do presidenciável tucano Aécio Neves.

A reviravolta no quadro de alianças do Rio sinaliza uma polarização nas eleições de outubro: de um lado, o governador Pezão, do PMDB, cabeça de chapa de uma coligação com mais 18 partidos; em outra ponta, o PT de Lindbergh Farias, unido ao PV, PCdoB e PSB.

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